Doenças

Angina: sintomas, tipos e quando é emergência

Angina é o aviso de que uma artéria do coração está obstruída. Veja como é a dor, a diferença entre estável e instável e por que a mudança de padrão é urgência.

Juliana Borges6 min de leitura
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Angina é a dor no peito que aparece quando o músculo do coração recebe menos sangue do que precisa. Ela não é uma doença: é o aviso de que existe uma obstrução nas artérias coronárias. Entender o padrão dessa dor é o que separa quem procura ajuda a tempo de quem chega ao pronto-socorro já infartando.

A diferença entre angina e infarto é de grau e de reversibilidade. Na angina o músculo sofre mas se recupera quando o esforço cessa. No infarto o fluxo é interrompido e o tecido morre.

Como é a dor da angina

O padrão clássico é bastante característico:

  • Localização: centro do peito, atrás do osso do esterno
  • Qualidade: aperto, peso, pressão ou queimação. Raramente é pontada
  • Irradiação: braço esquerdo, ombros, mandíbula, pescoço, costas ou boca do estômago
  • Duração: de 2 a 10 minutos
  • Gatilho: esforço físico, emoção intensa, refeição pesada, frio
  • Alívio: repouso ou vasodilatador sublingual, em poucos minutos

O gesto que os cardiologistas observam: a pessoa costuma descrever a dor com a mão fechada sobre o peito, não apontando com um dedo. Dor que se localiza com a ponta do dedo raramente é coronariana.

O que provavelmente não é angina

  • dor que muda com a respiração profunda
  • dor que piora ao apertar o local com o dedo
  • dor que dura segundos, em fisgadas
  • dor que muda conforme a posição do corpo
  • queimação que sobe do estômago após deitar, mais sugestiva de refluxo

Essas características reduzem a probabilidade, mas não descartam. Na primeira vez, procure avaliação.

Os tipos, e por que a distinção salva vidas

Angina estável

Aparece sempre com o mesmo nível de esforço, dura o mesmo tempo e alivia com repouso. Subir dois lances de escada provoca, sentar resolve. É previsível, e essa previsibilidade é o que a define. Merece investigação e tratamento, mas não é emergência.

Angina instável

É emergência. Caracteriza-se por qualquer uma destas mudanças:

  • surge em repouso ou durante o sono
  • aparece com esforço menor do que antes
  • ficou mais intensa, mais longa ou mais frequente
  • é a primeira vez e foi intensa
  • não alivia como costumava aliviar

A angina instável significa placa em processo de ruptura. Ela antecede o infarto e o tempo entre uma e outro pode ser de horas. Vale reconhecer também os sintomas de infarto em homens e mulheres, porque o quadro pode evoluir rápido.

Angina de Prinzmetal

Causada por espasmo da coronária, não por placa. Aparece tipicamente em repouso e de madrugada, em pessoas mais jovens. Uso de cocaína é gatilho conhecido, e vale entender o efeito das drogas que afetam o coração.

Angina microvascular

Ocorre com as artérias principais sem obstrução, por disfunção dos vasos pequenos. É mais frequente em mulheres e frequentemente rotulada como emocional antes do diagnóstico correto.

Como se investiga

  1. Eletrocardiograma de repouso. Pode ser normal entre as crises.
  2. Teste ergométrico. Avalia o comportamento sob esforço crescente.
  3. Ecocardiograma de estresse ou cintilografia, quando o ergométrico não é conclusivo.
  4. Angiotomografia de coronárias, não invasiva, excelente para descartar doença.
  5. Cateterismo, que localiza a obstrução com precisão e permite tratá-la no mesmo procedimento. Vale entender a diferença entre cateterismo e angioplastia.

Tratamento

Medicamentos

  • Antiagregante plaquetário, em geral aspirina, reduzindo a chance de trombo
  • Estatina em dose alta, que estabiliza a placa além de baixar o colesterol
  • Betabloqueador, reduzindo a demanda de oxigênio do coração
  • Nitrato sublingual para a crise, e de ação prolongada para prevenção
  • Bloqueador de canal de cálcio, principalmente na angina por espasmo

Procedimentos

Angioplastia com stent alivia sintomas de forma eficaz em obstruções específicas. A cirurgia de revascularização entra em doença de múltiplos vasos, em diabéticos e quando a anatomia é desfavorável ao cateter. Vale conhecer a cirurgia que desentope as veias do coração antes da conversa sobre a escolha.

Um ponto que gera dúvida: na angina estável, o procedimento melhora sintoma, mas o tratamento medicamentoso bem conduzido tem resultado comparável em prevenir eventos na maior parte dos casos. A decisão é individual e vale discutir.

O que fazer numa crise

  1. Pare o que estiver fazendo e sente-se.
  2. Se tiver nitrato sublingual prescrito, use conforme orientado.
  3. Se a dor não aliviar em 5 minutos, ligue 192.
  4. Não dirija até o hospital.
  5. Se houver orientação prévia, mastigue aspirina.

Perguntas frequentes

Quem tem angina pode fazer academia?

Na angina estável, sim, e o exercício faz parte do tratamento. Exige avaliação prévia com teste ergométrico para definir a intensidade segura. Na angina instável, não: é preciso estabilizar antes. Vale ver o roteiro de exercício para quem tem problema cardíaco.

Angina é o mesmo que infarto?

Não. Na angina o fluxo é insuficiente mas o músculo se recupera. No infarto o fluxo é interrompido e o tecido morre. A angina instável é o estágio que antecede o infarto.

Quanto tempo dura uma crise de angina?

De 2 a 10 minutos, aliviando com repouso. Dor que passa de 20 minutos e não alivia deve ser tratada como infarto.

Angina aparece em jovens?

É menos comum, mas ocorre em hipercolesterolemia familiar, em usuários de cocaína e nas formas por espasmo e microvascular.

Dá para ter angina sem obstrução nas artérias?

Sim. É a angina microvascular, por disfunção dos vasos pequenos, e a de Prinzmetal, por espasmo. Ambas são reais e tratáveis.

Ansiedade pode causar dor no peito parecida?

Pode, e a confusão é frequente nos dois sentidos. A diferenciação exige avaliação, principalmente no primeiro episódio.

A regra que vale guardar

Angina que muda de padrão é emergência. Se a dor que sempre aparecia ao subir dois lances passou a aparecer ao subir um, ou passou a surgir sentado, isso não é piora gradual: é sinal de placa instável, e a conduta certa é procurar atendimento hoje, não na próxima consulta.

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Sobre o autor

Juliana Borges

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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