Tratamentos

Cateterismo ou angioplastia: qual a diferença

O cateterismo é o exame que enxerga, a angioplastia é o tratamento que desobstrui. Veja a diferença, como é feito cada um e como é o repouso depois.

Juliana Borges6 min de leitura
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Muita gente sai do hospital dizendo que "fez um cateterismo" sem saber se colocou stent, e muita gente acha que os dois nomes são a mesma coisa. Não são, e a diferença é simples:

O cateterismo é o exame que enxerga. A angioplastia é o tratamento que desobstrui. Os dois usam o mesmo cateter e frequentemente acontecem na mesma sessão, um logo depois do outro, o que explica a confusão.

O que é o cateterismo

Também chamado de cineangiocoronariografia, é um exame de imagem. Um cateter fino entra por uma artéria do punho ou da virilha e é conduzido até o coração. Ali, injeta-se contraste e faz-se um filme em raio X que mostra o interior das artérias coronárias.

O que ele responde:

  • existe obstrução?
  • em quais artérias e em que ponto?
  • qual o grau de estreitamento?
  • a anatomia permite tratar por cateter ou exige cirurgia?

Ele também mede pressões dentro das câmaras e avalia a força de contração. É diagnóstico: identifica o problema, não o corrige.

O que é a angioplastia

É o tratamento. Pelo mesmo acesso, leva-se até a obstrução um cateter com um balão na ponta. O balão infla e comprime a placa contra a parede, reabrindo o caminho do sangue.

Na quase totalidade dos casos, coloca-se em seguida um stent, uma malha metálica que fica permanentemente no local sustentando a artéria aberta. Sem ele, a artéria tende a se fechar de novo.

Tipos de stent

  • Convencional, apenas metálico. Maior chance de reestenose.
  • Farmacológico, revestido com medicamento que inibe a cicatrização excessiva. É o padrão atual.

A diferença em uma tabela

CateterismoAngioplastia
Finalidadediagnosticartratar
O que fazfilma as artériasabre a obstrução
Usa balãonãosim
Coloca stentnãoquase sempre
Duração20 a 40 minutosmais 30 a 90 minutos
Antiagregante depoisnão necessariamenteobrigatório, com prazo definido
Internaçãoalgumas horas a uma noiteem geral uma noite

Como é feito

  1. Preparo: jejum, exames de sangue e função renal avaliada, porque o contraste sobrecarrega o rim.
  2. Acesso: anestesia local no punho ou na virilha. A via radial, pelo punho, é hoje preferida por ter menos sangramento e permitir levantar mais cedo.
  3. Durante: a pessoa fica acordada, com sedação leve. É comum sentir calor ao injetar o contraste, e isso é esperado.
  4. Se houver obstrução tratável, a angioplastia costuma ser feita na mesma sessão.
  5. Depois: compressão no local da punção e repouso conforme a via de acesso.

Sobre a dor: o procedimento em si não dói, porque a artéria não tem terminações nervosas de dor. O que se sente é a picada da anestesia e o calor do contraste.

Recuperação e repouso

Acesso pelo punho

  • pulseira compressiva por algumas horas
  • é possível sentar e caminhar logo
  • não carregar peso com esse braço por alguns dias
  • alta em geral no mesmo dia ou no dia seguinte

Acesso pela virilha

  • repouso deitado por várias horas, com a perna estendida
  • não dobrar a perna nem fazer força para levantar
  • evitar esforço e dirigir por alguns dias
  • hematoma na região é comum e esperado

Beber bastante água nas primeiras 24 horas ajuda a eliminar o contraste, exceto quando houver restrição de líquidos. Vale conhecer os sintomas após cateterismo cardíaco para saber o que é normal e o que não é.

Sinais para procurar atendimento

  • sangramento ativo no local da punção
  • inchaço que cresce rapidamente, com dor intensa
  • mão ou pé frio, pálido, dormente ou sem pulso
  • dor no peito semelhante à que motivou o procedimento
  • febre acima de 38 graus
  • redução importante da quantidade de urina

Depois do stent: o remédio não é opcional

Quem coloca stent sai com dupla antiagregação, geralmente aspirina somada a outro antiplaquetário, por um prazo definido pelo cardiologista.

Interromper por conta própria é perigoso. A trombose de stent é uma complicação de alta mortalidade e a suspensão precoce é a causa mais comum. Se algum procedimento, inclusive dentário, exigir a suspensão, isso precisa ser combinado com o cardiologista, nunca decidido isoladamente.

Além do antiagregante, o tratamento inclui estatina em dose alta e o controle dos fatores que causaram a obstrução, começando pelo colesterol alto e pelo cigarro.

Angioplastia ou cirurgia?

Nem toda obstrução se resolve por cateter. A cirurgia de revascularização costuma ser preferida em doença de múltiplos vasos, em diabéticos com anatomia complexa e em lesões no tronco da coronária esquerda. A escolha considera anatomia, função do coração, diabetes e risco cirúrgico, e é decisão de equipe.

Perguntas frequentes

O cateterismo desentope a veia?

O cateterismo sozinho não desentope: ele mostra onde está a obstrução. Quem desobstrui é a angioplastia com balão e stent, feita em geral na mesma sessão quando há indicação.

Cateterismo dói?

O procedimento não dói. Sente-se a picada da anestesia local e uma sensação de calor quando o contraste é injetado, que passa em segundos.

Cateterismo tem risco de morte?

O risco é baixo em procedimento eletivo e em serviço com volume adequado. Ele aumenta em emergência, em idosos e em quem tem função cardíaca ou renal comprometida. Peça o risco calculado para o seu caso.

Quanto tempo de repouso depois?

Pelo punho, poucas horas, com alta em geral no mesmo dia. Pela virilha, repouso deitado por várias horas e restrição de esforço por alguns dias.

Stent entope de novo?

Pode ocorrer reestenose, bem menos frequente com stent farmacológico. O maior determinante é o controle dos fatores de risco depois: colesterol, pressão, diabetes e tabagismo.

Posso fazer ressonância magnética com stent?

Os stents coronarianos atuais são compatíveis com ressonância. Informe sempre a equipe do exame.

A pergunta certa na alta

Antes de sair do hospital, pergunte quatro coisas: eu fiz só o exame ou colocaram stent, quantos e onde, por quanto tempo devo tomar cada antiagregante, e qual é a minha meta de LDL. Sair sem essas respostas é o que faz muita gente interromper a medicação meses depois sem saber o risco que está correndo.

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Sobre o autor

Juliana Borges

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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