Enfermeiro é agredido a socos em UPA em São Bernardo do Campo (SP). Flávio Vieira da Veiga, 47 anos, foi atacado em maio deste ano. Um homem invadiu a sala de triagem e arrastou o profissional pelo corredor. O agressor queria atendimento imediato para uma acompanhante. Veiga explicou que faria a triagem em seguida. O homem então partiu para a agressão física.

O profissional ficou desacordado e foi espancado até ser socorrido pela equipe. Ele sofreu fratura no nariz, hematomas e feridas abertas. Precisou passar por cirurgia corretiva e ficou internado. A UPA interrompeu os atendimentos após o caso. Policiais tomaram conta da unidade.

Veiga trabalha na enfermagem há 26 anos. Ele afirma que o nível de desrespeito atual não existia quando começou na profissão. O caso dele não é isolado. Pesquisa do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) mostra que 80% dos profissionais da área no estado já sofreram algum tipo de agressão no trabalho.

O levantamento ouviu mais de 7,7 mil enfermeiros, técnicos e auxiliares. Desse total, 47,7% relataram violência mais de uma vez nos últimos três anos. A pesquisa aponta aumento de 2,2% nos casos de agressão física e de 2,1% nos de violência sexual em comparação com 2023.

Causas das agressões

A maioria dos episódios é cometida por pacientes ou acompanhantes. As principais motivações alegadas são demora no atendimento (65,5% dos casos), problemas na estrutura da instituição (55,3%) e insatisfação com a assistência (46,8%).

O presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto, afirma que a maioria das reclamações não está ligada à falta de assistência dos profissionais. Ele diz que questões estruturais são de responsabilidade das instituições. Cleto lembra que os enfermeiros fazem a classificação de risco dos pacientes. A falta de compreensão dessa seleção é uma das principais razões para a violência.

Os tipos de agressão mais comuns são verbais (88,8%), psicológicas (78,7%) e físicas (21,1%). A pesquisa mostra que 70% dos agredidos nunca fizeram denúncia formal. A maioria cita sensação de impunidade ou falta de apoio da instituição.

Saúde mental

Veiga voltou a trabalhar após receber alta, mas evita atendimento ao público. Ele atua agora na esterilização de equipamentos em outro hospital. O caso dele reflete uma realidade maior. Em 2025, mais de 500 mil pessoas se afastaram do trabalho por motivos de saúde mental, segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (Smartlab).

Os técnicos de enfermagem ocupam a 6ª posição no ranking de afastamentos. Foram mais de 44 mil afastamentos na categoria no ano passado. Os auxiliares de enfermagem aparecem na 18ª posição.

Um projeto de lei em São Paulo quer criar um protocolo para prevenir e combater a violência contra profissionais de enfermagem. O PL 1254/2025 será discutido em audiência pública na próxima terça-feira, 4. A proposta prevê medidas de prevenção, registro, acolhimento e resposta a episódios na rede pública estadual.

Juliana Moraes

Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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