A venda da T.G., medicamento paraguaio à base de tirzepatida para perda de peso, é proibida no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aprovou o produto, que é anunciado em redes sociais e farmácias do Paraguai.
A T.G. é fabricada pelo laboratório Indufar CISA, do Paraguai. A empresa tem mais de 50 anos de história, mas só em 2025 entrou no mercado de medicamentos peptídicos, como a tirzepatida e a semaglutida.
A molécula de tirzepatida imita hormônios como GLP-1 e GIP. Ela estimula a produção de insulina e age nos neurônios da saciedade, controlando a glicose e reduzindo a fome. Os estudos sobre a molécula são da farmacêutica Eli Lilly, que não fornece o composto para outras marcas.
O produto é vendido em ampolas de 2,5 mg a 15 mg. O paciente faz a autoaplicação com seringa e, em alguns casos, precisa fracionar as doses.
A Anvisa afirma que a Indufar nunca tentou registrar seus medicamentos no Brasil. A agência proibiu formalmente a venda e a publicidade da T.G. e de similares paraguaios em território nacional. Produtos sem registro são considerados clandestinos e podem ser apreendidos.
Os riscos à saúde são graves. Segundo o endocrinologista Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a dose pode ser até 38% maior do que a informada no rótulo. Isso aumenta o risco de intoxicação e de efeitos colaterais intensos.
Análises de laboratório em tirzepatidas irregulares já encontraram anfetamínicos, anfetamol, insulina e contaminantes. A endocrinologista Maria Fernanda Barca, também da Sbem, afirma que os efeitos podem incluir neurotoxicidade, infecções e até sepse.
Não há bula oficial do produto. A Indufar disponibiliza um arquivo em PDF com informações sobre a T.G.
A recomendação das autoridades é usar apenas medicamentos regulados e aprovados pela Anvisa para tratar obesidade e diabetes tipo 2.

