O norte-americano Daniel Murphy, de 32 anos, acreditava estar usando um suplemento alimentar seguro para ganhar massa muscular. O produto, porém, estava adulterado com testosterona. Segundo especialistas, isso contribuiu para o desenvolvimento de um surto psicótico grave.
Por cerca de dois anos, Murphy apresentou uma piora progressiva da saúde mental. Ele passou a acreditar que a esposa tentava roubar seu negócio e que a sogra queria matá-lo. Um psiquiatra concluiu que ele sofreu uma psicose induzida por esteroides.
O caso faz parte de uma investigação contra a empresa Paradigm Peptides, dos Estados Unidos. A companhia é acusada de vender produtos não aprovados e adulterados para milhares de consumidores em vários países. As autoridades estimam que cerca de 54 mil pessoas foram afetadas.
O dono da empresa, Matthew Kawa, foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão. Ele admitiu que vendeu medicamentos não autorizados, falsificou certificados de qualidade e mentiu sobre a origem e a segurança dos produtos. A irmã dele, Jennifer Stechkober, também foi condenada por participação no esquema.
As investigações mostraram que os suplementos eram anunciados como rigorosamente testados e fabricados nos Estados Unidos. Na verdade, eram importados de outros países e não passavam pelos testes de pureza e segurança prometidos aos consumidores.
Especialistas alertam que o uso de testosterona sem acompanhamento médico pode causar efeitos colaterais graves. Entre eles estão alterações psiquiátricas, danos ao fígado, problemas cardiovasculares e infertilidade.
O caso reacendeu o debate sobre os riscos do consumo de suplementos e substâncias para ganho de massa muscular vendidos sem regulamentação adequada. Isso inclui produtos promovidos nas redes sociais como alternativas “naturais” e seguras.

