O Brasil enfrenta um avanço no transtorno de jogo. Publicidade intensa de bets atinge milhões de pessoas. Um novo guia do Instituto Vita Alere orienta como sair do vício e das dívidas.
Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) mostram que 11 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais já apostaram. Desses, 1,4 milhão podem ter o diagnóstico de transtorno do jogo. O transtorno causa agitação, irritação e sofrimento ao tentar parar. O indivíduo mente para familiares e amigos sobre a situação financeira.
A psicóloga Karen Scavacini, fundadora do Vita Alere, afirma que três a cada quatro pacientes têm outros transtornos. Depressão, ansiedade e abuso de álcool estão entre eles. Segundo ela, pessoas vulneráveis caem no marketing e na experiência das plataformas.
Passo a passo contra o vício
O primeiro passo é a autoexclusão. O governo federal tem plataforma para bloquear o próprio acesso às bets. Basta informar o CPF e escolher o tempo de afastamento.
O segundo passo é afastar gatilhos. Desinstale aplicativos e deixe de seguir influenciadores que divulgam apostas. A orientação é pedir a alguém de confiança para mudar senhas de saque em bancos. Cartões de crédito devem ser retirados dos sites.
O terceiro passo é contar para alguém. O guia sugere escolher uma pessoa segura para desabafar. Se não houver ninguém, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende 24 horas pelo número 188 e pelo chat do site cvv.org.br.
O quarto passo é buscar atendimento no SUS. O paciente pode ser encaminhado a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Há também o teleatendimento do aplicativo Meus SUS Digital, com até 13 consultas por videochamada.
O quinto passo é resolver a parte financeira. O guia orienta evitar empréstimos para pagar dívidas de jogo. A recomendação é procurar o Procon do município para renegociação. Defensorias Públicas também têm núcleos de atendimento ao consumidor.
O sexto passo é considerar um grupo de apoio. Há grupos gratuitos em todas as regiões do país, como os Jogadores Anônimos (JA).
O sétimo passo é cuidar do básico. Manter rotina de sono, alimentação e atividade física é essencial. Álcool e outras drogas devem ser evitados. Segundo o instituto, a ansiedade da abstinência diminui mais rápido quando o corpo está em ordem.

