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Como acalmar o coração acelerado: 5 passos e quando chamar o 192

Pare, sente, respire com expiração longa e tire o gatilho. Se não ceder em 15 minutos ou vier com dor no peito, é 192.

Juliana Borges6 min de leitura
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Coração acelerado do nada, em repouso, tem um jeito de acalmar que funciona na maioria das vezes em poucos minutos: parar o que está fazendo, sentar, respirar devagar pelo nariz enchendo a barriga e soltar pela boca mais devagar ainda, por cinco minutos. Se o batimento não desacelerar, existem manobras que o próprio cardiologista usa no pronto-socorro e que você pode aprender, e existe uma lista curta de sinais que dizem quando parar de tentar e chamar o 192.

Este texto é sobre o que fazer na hora. Se o coração acelera todo dia ou toda noite, o problema não se resolve com manobra, e sim com investigação: a clínicas de cardiologia clínica tem exames simples, como o Holter, que gravam o ritmo por 24 horas e mostram o que está acontecendo.

Como acalmar o coração acelerado em 5 passos

  1. Pare e sente. Em pé, o coração trabalha mais. Sentado ou deitado com as pernas um pouco elevadas, ele já desacelera.
  2. Respire 4-7-8. Inspire pelo nariz contando até 4, segure contando até 7, solte pela boca contando até 8. Repita de 6 a 10 vezes. A expiração longa ativa o nervo vago, que é o freio natural do coração.
  3. Água fria no rosto. Molhe o rosto com água bem fria ou segure um pano gelado sobre os olhos e as maçãs do rosto por 15 a 30 segundos. É o reflexo de mergulho: o corpo responde reduzindo a frequência cardíaca.
  4. Tire o gatilho. Café, energético, cigarro, álcool, descongestionante nasal e remédio para emagrecer aceleram o coração. Se tomou algum deles, o efeito passa quando a substância sai do corpo.
  5. Espere 10 minutos antes de julgar. Palpitação por ansiedade ou por susto costuma ceder nesse tempo. Se não ceder, veja as manobras abaixo e os sinais de alerta.

Manobras vagais: o que o pronto-socorro faz

Quando a aceleração é de um tipo específico de arritmia, a taquicardia supraventricular, o que interrompe a crise é estimular o nervo vago. São manobras que o médico ensina para o paciente usar em casa depois do primeiro diagnóstico:

  • Manobra de Valsalva: inspire fundo, feche a boca e o nariz e faça força como se fosse evacuar, por 10 a 15 segundos. Na versão modificada, que funciona melhor, faça a força sentado e logo depois deite e levante as pernas.
  • Tossir com força algumas vezes seguidas.
  • Beber um copo de água gelada de uma vez.

Duas coisas importam aqui. A primeira: essas manobras funcionam em crise de taquicardia supraventricular e não fazem nada em palpitação por ansiedade, que precisa do passo a passo anterior. A segunda: massagem no pescoço, na região da carótida, é uma manobra vagal que existe, mas só deve ser feita por profissional, porque em quem tem placa na artéria carótida ela pode soltar um fragmento e causar AVC.

Quando não tentar acalmar e chamar o 192

Coração acelerado junto com qualquer um destes sinais é emergência, e o tempo até o atendimento muda o resultado:

  • dor ou aperto no peito, mesmo leve
  • falta de ar que impede falar frases inteiras
  • desmaio, ou sensação de que vai desmaiar
  • suor frio, palidez, lábios arroxeados
  • batimento acima de 150 por minuto em repouso que não cede em 15 minutos
  • confusão mental ou fraqueza súbita de um lado do corpo

Quem já tem diagnóstico de doença do coração, quem faz hemodiálise e quem tem mais de 65 anos deve ter o limite mais baixo para procurar atendimento: nesses grupos a aceleração tem mais chance de ser arritmia e menos de ser ansiedade.

Por que o coração acelera do nada

As causas mais comuns, em ordem de frequência em quem procura atendimento por palpitação, são ansiedade e crise de pânico, estimulantes (café, energético, nicotina, descongestionante), febre e infecção, anemia, desidratação, alterações da tireoide, e só então as arritmias propriamente ditas. A diferença prática: nas causas não cardíacas o batimento acelera e desacelera de forma gradual; na arritmia ele costuma disparar e parar de repente, como um interruptor. Esse detalhe vale ouro na consulta, então observe e anote.

Se a aceleração vem com tremor, sensação de desmaio ou acontece sempre no mesmo horário, leia coração acelerado com tremedeira e sensação de desmaio e coração acelerado à noite e em repouso, que tratam dessas situações.

O que fazer depois que passou

Anote a hora, quanto durou, o que estava fazendo e se parou de repente ou aos poucos. Se tiver relógio ou aplicativo que registra o pulso, guarde o registro. Esse material é o que permite ao cardiologista distinguir palpitação benigna de arritmia sem precisar reproduzir a crise na consulta. Um episódio isolado com causa clara (café demais, noite mal dormida) não exige investigação; episódios repetidos, sem gatilho ou com os sinais de alerta acima, exigem.

Perguntas frequentes

Como acalmar o coração acelerado rápido?

Sente, respire devagar com expiração longa (4-7-8) por cinco minutos e molhe o rosto com água bem fria. Na maioria dos casos de palpitação por ansiedade ou estimulante, isso resolve em até 10 minutos.

O que fazer quando o coração acelera do nada?

Parar, sentar, respirar devagar e tirar qualquer gatilho (café, energético, cigarro). Se não ceder em 15 minutos, ou se vier com dor no peito, falta de ar ou desmaio, chamar o 192.

Água gelada acalma o coração?

Ajuda. Água fria no rosto e um copo de água gelada bebido de uma vez estimulam o nervo vago, que reduz a frequência cardíaca. É uma das manobras usadas para interromper crise de taquicardia supraventricular.

Coração acelerado é sempre arritmia?

Não. Ansiedade, estimulantes, febre, anemia e tireoide aceleram o coração sem arritmia. A pista é o padrão: arritmia costuma disparar e parar de repente; as outras causas aceleram e desaceleram aos poucos.

Quantos batimentos por minuto é perigoso?

Em repouso, acima de 100 já é taquicardia e merece atenção; acima de 150 que não cede em 15 minutos, ou qualquer valor com dor no peito, falta de ar ou desmaio, é emergência.

Posso tomar remédio por conta própria para acalmar o coração?

Não. Betabloqueador e outros antiarrítmicos só com prescrição, porque em alguns tipos de arritmia o remédio errado piora o quadro. Quem já tem receita de uso em crise segue a orientação do próprio médico.

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Sobre o autor

Juliana Borges

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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