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Cirurgia cardíaca pelo plano: cobertura e carência

O que o plano é obrigado a cobrir na cirurgia cardíaca, quais são os prazos de carência, os motivos mais comuns de negativa e como reverter cada um deles.

Marco Jean7 min de leitura
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Cirurgia cardíaca tem cobertura obrigatória nos planos de saúde regulamentados. A dúvida quase nunca é se cobre, é quando passa a cobrir e o que exatamente entra na conta. É nesse intervalo que aparecem as negativas, e a maior parte delas é reversível quando a pessoa sabe o que exigir.

Este texto explica os prazos de carência, o que a operadora é obrigada a cobrir, os motivos mais comuns de negativa e o caminho para reverter.

O que o plano é obrigado a cobrir

Todo plano com segmentação hospitalar contratado a partir de 1999 deve cobrir os procedimentos do Rol da ANS, que inclui as principais cirurgias cardíacas: revascularização do miocárdio, troca e reparo de válvulas, correção de defeitos congênitos, implante de marcapasso e desfibrilador, angioplastia com stent e cirurgias da aorta.

A cobertura obrigatória abrange:

  • internação em UTI, sem limite de dias
  • honorários da equipe cirúrgica credenciada
  • materiais e próteses ligados ao ato cirúrgico, incluindo stents e válvulas
  • exames antes e depois do procedimento
  • medicamentos durante a internação
  • hemoderivados
  • reabilitação cardíaca conforme diretriz de utilização

Carências: os prazos que valem

SituaçãoPrazo máximo
Urgência e emergência24 horas
Consultas e exames simples30 dias
Internações e cirurgias180 dias
Doença ou lesão preexistente720 dias (cobertura parcial temporária)

O prazo de 720 dias é o que mais gera conflito. Ele se aplica apenas a procedimentos de alta complexidade diretamente relacionados à doença que a pessoa já tinha e declarou ao contratar. Quem tinha doença coronariana conhecida e precisa de revascularização nesse período pode enfrentar a cobertura parcial temporária.

Dois pontos importantes:

  • Emergência tem cobertura em 24 horas, mesmo em caso de preexistência. Um infarto agudo é emergência. A operadora não pode negar atendimento com base em carência de 180 ou 720 dias.
  • Portabilidade de carências permite mudar de plano sem recomeçar prazos, desde que cumpridos os requisitos de permanência mínima e compatibilidade de faixa de preço.

Os quatro motivos mais comuns de negativa

1. Prótese ou material "não coberto"

É a negativa mais frequente em cirurgia de válvula e em angioplastia. O entendimento consolidado é que material ligado ao ato cirúrgico tem cobertura obrigatória. A operadora pode questionar a marca, não o direito à prótese.

O que fazer: peça ao cirurgião um relatório com justificativa técnica indicando três marcas equivalentes, conforme prevê a regulamentação. Isso costuma encerrar a discussão.

2. Procedimento fora do Rol

Técnicas novas podem não estar listadas. Nesse caso a negativa pode ser legítima do ponto de vista contratual, mas há caminhos: pedido de análise pela ANS, e discussão judicial quando há evidência científica e indicação formal.

3. Carência ou preexistência

Verifique se o caso é realmente eletivo. Se houver caráter de urgência documentado no prontuário, a carência de 180 ou 720 dias não se aplica.

4. Hospital fora da rede

Aqui a negativa costuma ser válida, com uma exceção relevante: se não houver na rede credenciada nenhum serviço com capacidade para o procedimento, a operadora deve garantir o atendimento em outro hospital ou custear o reembolso.

Como reverter uma negativa

  1. Exija a negativa por escrito. A operadora tem obrigação de fornecer em até 48 horas, com o motivo e o dispositivo contratual. Negativa por telefone não serve para nada.
  2. Reúna a documentação clínica. Relatório do médico com diagnóstico, CID, indicação, urgência e justificativa da técnica e do material.
  3. Abra reclamação na ANS. Pelo site ou pelo 0800 701 9656. O prazo de resposta é curto e a taxa de resolução é alta.
  4. Acione o Procon em paralelo.
  5. Avalie a via judicial. Em casos urgentes, a liminar costuma ser decidida em poucos dias.

Guarde protocolo de toda ligação, e-mails e o relatório médico. É esse conjunto que sustenta o pedido.

Prazos máximos de atendimento

A ANS estabelece prazos que muita gente desconhece:

  • consulta com cardiologista: até 14 dias úteis
  • exames de alta complexidade: até 21 dias úteis
  • cirurgia eletiva: até 21 dias úteis
  • urgência e emergência: atendimento imediato

Estourou o prazo, cabe reclamação. Esse costuma ser o argumento mais rápido para destravar um agendamento.

Escolhendo um plano com cardiologia em mente

Se a decisão de contratar ainda está em aberto, e há histórico familiar ou fator de risco cardiovascular, quatro critérios importam mais que o preço da mensalidade:

  • Hospitais de referência em cardiologia na rede. Verifique nominalmente, não confie na categoria do plano. Serviços com habilitação em alta complexidade cardiovascular apresentam melhores resultados.
  • Abrangência geográfica. Plano municipal pode não cobrir o centro de referência do estado vizinho.
  • Regras de reembolso, se pretende usar equipe fora da rede.
  • Reajuste por faixa etária, que é onde o custo real aparece a partir dos 59 anos.

Comparar isso sozinho é trabalhoso, porque as informações estão espalhadas entre contrato, aditivo e rede referenciada. Uma corretora plano de saude boa consegue cruzar rede hospitalar, abrangência e reajuste antes da assinatura, o que evita descobrir a limitação no momento em que ela mais pesa. Planos com rede ampla em cardiologia, como o plano de saúde Prevent Senior, costumam entrar nessa comparação para quem prioriza esse perfil.

Perguntas frequentes

Plano recém-contratado cobre infarto?

Sim. Emergência tem carência máxima de 24 horas. Atendimento e internação devem ser garantidos.

O plano pode limitar os dias de UTI?

Não. Limitação de dias de internação, inclusive em UTI, é vedada nos planos regulamentados.

Posso escolher a marca do stent?

A indicação técnica é do médico. A operadora pode solicitar três opções equivalentes, mas não pode impor material inadequado para o caso.

Quem tem plano precisa pagar alguma coisa na cirurgia?

Nos planos sem coparticipação, não deveria haver cobrança pelo procedimento coberto. Cobranças de acompanhante, acomodação superior à contratada ou materiais não relacionados podem existir e devem ser informadas antes.

Cirurgia negada: quanto tempo leva na Justiça?

Em situações urgentes, a decisão liminar costuma sair em dias. É por isso que o relatório médico deve deixar a urgência explícita.

O que fazer agora

Se você tem cirurgia cardíaca indicada, peça hoje ao seu médico o relatório completo com CID, justificativa da técnica, material necessário e caráter de urgência. Com esse documento em mãos, a maior parte das negativas se resolve na etapa administrativa, sem precisar de advogado.

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Marco Jean

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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