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Quem tem problema no coração pode fazer academia?

Pode, e na maioria dos casos deve. O que muda é o quê, quanto e com qual liberação: o teste de esforço define o limite de cada pessoa.

Juliana Borges6 min de leitura
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Pode, e na maior parte dos casos deve. Exercício regular é parte do tratamento de quase toda doença do coração: reduz pressão, melhora o colesterol, controla o peso e fortalece o músculo cardíaco. O que muda para quem tem problema cardíaco não é se pode, e sim o quê, quanto e com qual liberação. A regra que vale para todos: antes de começar ou voltar, passar por uma avaliação em cardiologia clínica com teste de esforço, que é o exame que define o limite seguro de cada pessoa.

Este texto responde às perguntas mais comuns: academia, musculação, caminhada, e o que muda em quem tem angina, arritmia ou passou por cirurgia.

Quem tem problema no coração pode fazer academia?

Pode, com liberação do cardiologista e com a intensidade certa. O erro mais comum não é ir à academia, é ir sem avaliação e começar no ritmo de quem não tem doença. A avaliação inclui o teste ergométrico, que mostra até que frequência cardíaca o coração trabalha sem sinal de sofrimento. Esse número vira o teto do treino.

Com o teto definido, a academia é um dos lugares mais seguros para se exercitar: esteira e bicicleta permitem controlar a carga com precisão, o ambiente é monitorado e há gente por perto. Muitos programas de reabilitação cardíaca funcionam exatamente assim.

Quem tem problema no coração pode fazer musculação?

Pode, e as diretrizes de cardiologia recomendam, desde que seja musculação de resistência moderada: cargas leves a médias, mais repetições, sem prender a respiração. O que se evita é o esforço máximo com apneia, aquele de levantar peso pesado segurando o ar, porque ele eleva a pressão arterial de forma abrupta e sobrecarrega o coração no momento da força.

A regra prática: se você consegue conversar durante a série, a carga está adequada. Se precisa prender a respiração para completar a repetição, está alta. Em quem tem pressão alta não controlada, aneurisma ou insuficiência cardíaca avançada, a musculação pode ficar restrita até o quadro estabilizar, e isso é decisão do cardiologista.

Quem tem problema no coração pode fazer caminhada?

A caminhada é o exercício mais recomendado para quem tem doença cardíaca, e é por onde quase todo programa de reabilitação começa. É de baixo impacto, fácil de dosar e dá para fazer todo dia. A meta habitual é chegar a 150 minutos por semana em ritmo que acelere a respiração sem tirar o fôlego, distribuídos em cinco ou mais dias.

Quem está começando ou saiu de uma internação começa com 10 a 15 minutos em terreno plano e aumenta aos poucos. Caminhada em subida, no calor forte ou logo depois de refeição pesada exige mais do coração e é onde a maioria dos sustos acontece.

Quem tem angina pode fazer academia?

Pode, mas com um cuidado a mais: a angina é dor no peito por falta de sangue no músculo do coração durante o esforço, e o exercício precisa ficar abaixo do ponto em que ela aparece. O teste ergométrico identifica exatamente esse ponto, e o treino é programado com margem de segurança abaixo dele. Quem usa nitrato sublingual deve tê-lo à mão durante o exercício. Angina que passou a aparecer com menos esforço do que antes, ou em repouso, não é para treinar: é para procurar atendimento no mesmo dia. Os tipos e sinais estão em sintomas e tipos de angina.

Quem tem taquicardia ou arritmia pode fazer academia?

Depende do tipo de arritmia, e esse é o caso em que a avaliação prévia mais importa. Extrassístoles isoladas em coração estruturalmente normal costumam liberar exercício sem restrição. Fibrilação atrial controlada libera exercício moderado, com atenção ao anticoagulante e ao risco de queda. Arritmias ventriculares, síndrome do QT longo e cardiomiopatias específicas podem contraindicar esforço intenso e esporte competitivo, porque o esforço pode disparar a arritmia. O que define é o Holter e, às vezes, o estudo eletrofisiológico. Vale conhecer os tipos de arritmia cardíaca e seus sintomas antes da conversa com o médico.

Depois de cirurgia, cateterismo ou infarto

Depois de infarto ou angioplastia, o exercício volta em duas a quatro semanas, começando pela caminhada, e a reabilitação cardíaca supervisionada é a forma mais segura de retomar. Depois de cirurgia com abertura do tórax, a caminhada começa ainda no hospital, mas musculação e qualquer exercício que force o peito ou os braços só depois de 8 a 12 semanas, quando o esterno consolidou. Nesse período é comum sentir o coração acelerado após a cirurgia em esforços pequenos, o que costuma melhorar com o condicionamento. Quem quer saber o que esperar a longo prazo pode ler sobre a expectativa de vida após cirurgia cardíaca, que o exercício regular é um dos fatores que mais melhora.

Quem quer um número para acompanhar pode usar a calculadora de risco cardiovascular: refazer o cálculo depois de meses de treino e de pressão controlada mostra a queda do risco.

Sinais para parar na hora

  • dor ou aperto no peito, no pescoço, na mandíbula ou no braço
  • falta de ar fora de proporção com o esforço
  • tontura, visão escurecida ou sensação de desmaio
  • batimento muito irregular ou disparado que não desacelera com o repouso
  • suor frio, palidez ou náusea durante o exercício

Qualquer um deles interrompe o treino. Dor no peito que não passa em poucos minutos de repouso é motivo para ligar para o 192, não para esperar melhorar.

Perguntas frequentes

Quem tem problema no coração pode fazer academia?

Pode, com liberação do cardiologista e intensidade definida pelo teste de esforço. A academia permite controlar a carga com precisão e é usada em programas de reabilitação cardíaca.

Quem tem problema cardíaco pode fazer musculação?

Pode, com cargas leves a moderadas, mais repetições e sem prender a respiração. O que se evita é o esforço máximo com apneia, que eleva a pressão de forma abrupta.

Quem tem problema de coração pode fazer caminhada?

É o exercício mais recomendado. A meta é chegar a 150 minutos por semana em ritmo moderado, começando com 10 a 15 minutos em terreno plano para quem está iniciando.

Quem tem angina pode fazer academia?

Pode, treinando abaixo do ponto em que a dor aparece, definido no teste ergométrico. Angina nova, em repouso ou com esforço cada vez menor exige atendimento antes de qualquer treino.

Quem tem taquicardia pode fazer academia?

Depende do tipo de arritmia. Extrassístoles em coração normal costumam liberar; algumas arritmias ventriculares e cardiomiopatias restringem esforço intenso. O Holter e o cardiologista definem.

Qual exame preciso fazer antes de voltar a treinar?

O teste ergométrico, que mostra até que frequência cardíaca o coração trabalha com segurança. Conforme o caso, o cardiologista pede também ecocardiograma e Holter.

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Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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