O estado de São Paulo agora integra a Global Heart Attack Treatment Initiative (GHATI). A iniciativa é do American College of Cardiology e será coordenada no Brasil pela SOCESP. O objetivo é padronizar e agilizar o atendimento a pacientes com infarto.

O programa monitora indicadores de qualidade. A meta é reduzir a mortalidade e as sequelas da doença. Dados do projeto-piloto mostram queda na mortalidade hospitalar.

O infarto agudo do miocárdio é uma das principais causas de morte no país. Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem entre 300 mil e 400 mil casos por ano no Brasil. São Paulo registra mais de 40 mil internações anuais pela doença.

O desafio atual não é apenas conhecer o tratamento correto. É garantir que ele seja aplicado no menor tempo possível e de forma padronizada. A mortalidade hospitalar varia de menos de 5% em centros de excelência para mais de 20% em locais com limitações de recursos.

O foco do programa é o infarto com supradesnivelamento do segmento ST, o STEMI. É uma das formas mais graves da doença. O diagnóstico é feito por eletrocardiograma, que deve ser realizado nos primeiros 10 minutos após o primeiro contato com o serviço de saúde.

A rapidez é decisiva. A cada minuto de atraso, parte do músculo cardíaco pode sofrer danos permanentes. Quando a angioplastia primária está disponível, a meta é realizá-la em até 90 minutos após a chegada ao hospital. Se esse prazo não for cumprido, a recomendação é administrar um fibrinolítico em até 30 minutos.

O programa não introduz um novo medicamento ou técnica. Ele organiza a assistência e acompanha indicadores. Entre eles estão a administração precoce de aspirina, estatinas e outras terapias recomendadas. O programa também monitora o tempo até a reperfusão da artéria obstruída.

Na fase inicial do projeto, entre 2019 e 2021, dezoito hospitais de diferentes países participaram do piloto. Foram reunidos dados de aproximadamente 4 mil pacientes com STEMI. Cerca de 75% dos pacientes receberam reperfusão dentro do tempo recomendado. Mais de 94% foram submetidos à terapia de reperfusão.

A adesão às principais recomendações das diretrizes ultrapassou 90%. A mortalidade hospitalar teve redução absoluta de aproximadamente 2 pontos percentuais. Em saúde pública, esse resultado representa centenas ou milhares de vidas preservadas em grandes populações.

Próximos passos

O próximo desafio é levar os resultados para um número maior de hospitais. O objetivo é demonstrar que os princípios podem ser implementados em unidades com diferentes perfis de infraestrutura e disponibilidade de recursos.

O programa busca reduzir desigualdades na assistência. A estratégia é garantir que mais pacientes tenham acesso a tratamento rápido e baseado em evidências científicas.

Juliana Moraes

Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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