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Infarto durante o sono: risco, sinais e o que fazer

Infartar dormindo atrasa o socorro e agrava o quadro. Veja os sinais noturnos, o papel da apneia do sono e como diferenciar de refluxo e ansiedade.

Juliana Moraes7 min de leitura
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Infartos não se distribuem por igual ao longo do dia. Existe um pico bem documentado entre as 6 e as 12 horas da manhã, e existe um segundo grupo, menor e mais perigoso, que acontece durante o sono. O que torna o infarto noturno mais grave não é a lesão em si: é o tempo até alguém perceber.

Quem infarta acordado sente, reconhece e chama socorro. Quem infarta dormindo pode passar horas sem atendimento, e o músculo cardíaco não espera.

Por que existe um horário de maior risco

Nas horas que antecedem e acompanham o despertar, o corpo se prepara para a atividade do dia com uma sequência hormonal previsível:

  • Pico de cortisol e de adrenalina, que elevam frequência cardíaca e pressão arterial.
  • Maior reatividade das plaquetas, deixando o sangue mais propenso a coagular.
  • Vasoconstrição, reduzindo o calibre das artérias.
  • Redução da atividade fibrinolítica, ou seja, o sistema que desfaz coágulos está no ponto mais baixo.

Numa artéria com placa instável, esse conjunto é o suficiente para romper a placa e formar o coágulo que bloqueia o fluxo. É por isso que o infarto matinal tem explicação fisiológica, e não coincidência.

O papel da apneia do sono

Aqui está o fator mais subestimado do infarto noturno. Na apneia obstrutiva, a via aérea colapsa repetidamente durante a noite. Cada episódio produz:

  • queda da oxigenação no sangue
  • despertar breve, muitas vezes não percebido
  • descarga de adrenalina
  • pico de pressão arterial

Isso pode se repetir dezenas de vezes por hora, noite após noite. O resultado é hipertensão de difícil controle, inflamação vascular e maior risco de fibrilação atrial e de eventos coronarianos.

Os sinais que levantam a suspeita: ronco alto com pausas na respiração relatadas por quem dorme ao lado, sono não reparador, sonolência diurna, boca seca ao acordar e dor de cabeça matinal. O tratamento com CPAP costuma melhorar o controle da pressão em quem já tentou de tudo sem sucesso.

Os sinais do infarto durante o sono

Nem sempre a pessoa acorda com a dor clássica. O quadro pode se apresentar assim:

  • Acordar de repente com dor ou aperto no peito, que não passa ao mudar de posição
  • Acordar sufocado, com falta de ar que obriga a sentar
  • Suor frio encharcando o travesseiro e a roupa de cama
  • Náusea ou vontade de vomitar sem causa digestiva
  • Dor na mandíbula, no pescoço, nas costas ou no braço
  • Batimento acelerado ou irregular acompanhado de mal-estar
  • Sensação de morte iminente, descrita como angústia intensa

Um alerta importante: acordar sufocado e melhorar ao sentar também é sinal clássico de insuficiência cardíaca. Nos dois casos, a avaliação é necessária.

Como diferenciar de causas comuns

Sintoma noturnoMais compatível comSinal de alerta
Queimação subindo do estômago, pior deitadorefluxose vier com suor frio, trate como infarto
Dor que muda com a respiração ou o movimentocausa muscularse irradiar para o braço ou mandíbula
Acordar com o coração disparado, sem doransiedade ou arritmiase houver tontura ou quase desmaio
Acordar sufocado, melhora ao sentarinsuficiência cardíaca ou apneiasempre merece avaliação
Aperto no peito por mais de 20 minutosinfarto até prova em contrárioligue 192

A regra prática: nenhuma dessas distinções é confiável às 3 da manhã, em casa, com sono. Na dúvida, procure atendimento.

Quem tem mais risco de infartar dormindo

  • portadores de apneia do sono não tratada
  • hipertensos cuja pressão não cai durante a noite, padrão detectado no MAPA de 24 horas
  • diabéticos, pela neuropatia que reduz a percepção da dor
  • quem já teve infarto ou tem doença coronariana conhecida
  • pessoas que dormem menos de seis horas de forma crônica
  • trabalhadores de turno noturno, pela desregulação do ritmo circadiano
  • quem consome álcool à noite, que fragmenta o sono e piora a apneia

O que fazer se acontecer

  1. Ligue 192 ou peça a alguém para ligar. Não espere amanhecer.
  2. Não dirija e não deixe a pessoa dirigir.
  3. Sente ou fique semideitado, com a roupa afrouxada.
  4. Mastigue aspirina se não houver alergia ou contraindicação, seguindo a orientação do atendimento.
  5. Se a pessoa não responder e não respirar normalmente, inicie compressões no centro do peito, rápidas e firmes, sem parar.
  6. Deixe a porta destrancada para a equipe entrar sem demora.

Vale conhecer com antecedência todos os sintomas de infarto em homens e mulheres, porque o reconhecimento rápido é o que decide o desfecho.

Como reduzir o risco noturno

  • Investigue a apneia do sono se houver ronco com pausas, sono não reparador ou pressão de difícil controle. A polissonografia é o exame.
  • Durma de sete a oito horas com horário regular, inclusive no fim de semana.
  • Não interrompa a medicação da pressão e converse com o médico sobre o horário de tomada, porque alguns esquemas cobrem melhor a madrugada.
  • Evite álcool à noite, que piora a apneia e é gatilho de arritmia.
  • Trate o refluxo, que fragmenta o sono e confunde o quadro.
  • Perca peso se houver sobrepeso. É a medida que mais reduz a apneia, e vale entender quanto emagrecer baixa a pressão.
  • Pare de fumar. É o fator de risco evitável de maior peso.

Perguntas frequentes

Dá para infartar dormindo sem acordar?

É possível, principalmente em diabéticos com neuropatia e em idosos, em que a percepção da dor é reduzida. Nesses casos o infarto pode ser descoberto depois, em eletrocardiograma de rotina, como sequela.

Qual é o horário de maior risco de infarto?

O pico documentado é entre 6 e 12 horas da manhã, ligado à sequência hormonal do despertar. O período noturno tem menos eventos, porém com maior tempo até o atendimento.

Acordar com o coração disparado é infarto?

Raramente. É mais comum ser arritmia, ansiedade, apneia ou efeito de cafeína e álcool. Vira urgência quando vem com dor no peito, falta de ar intensa, tontura ou desmaio.

Apneia do sono aumenta o risco de infarto?

Sim. A apneia não tratada se associa a hipertensão resistente, fibrilação atrial e maior risco de eventos coronarianos. O tratamento reduz esse risco.

Dormir de lado protege o coração?

A posição não altera o risco de infarto em pessoas saudáveis. Dormir de lado reduz a apneia em quem ronca, e por essa via indireta ajuda o coração.

Suar muito à noite é sinal cardíaco?

Suor noturno tem várias causas, de infecção a alterações hormonais. Vira sinal de alarme quando aparece junto com dor no peito, falta de ar ou palidez.

O que fazer amanhã

Se alguém em casa ronca com pausas na respiração, ou se sua pressão não cede mesmo com medicação, peça uma avaliação para apneia do sono. É a intervenção com melhor relação entre esforço e resultado para reduzir risco cardiovascular noturno, e continua sendo a mais esquecida.

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Sobre o autor

Juliana Moraes

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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