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Arritmia cardíaca: tipos, sintomas e quando preocupa

Nem toda arritmia é grave. Veja os tipos, o que cada sintoma sugere, quais exames pedir e os sinais de alerta que exigem atendimento imediato.

Juliana Moraes7 min de leitura
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Arritmia é qualquer alteração no ritmo do coração: batendo rápido demais, devagar demais ou fora de compasso. O termo cobre desde a extrassístole isolada, que quase todo mundo tem e é inofensiva, até arritmias que exigem tratamento imediato.

Saber diferenciar é o que evita tanto o susto desnecessário quanto o atraso perigoso. Este guia organiza os tipos, os sintomas, o que investigar e os sinais que não admitem espera.

Como o coração mantém o ritmo

Existe um sistema elétrico próprio. O nó sinusal, no átrio direito, dispara o impulso entre 60 e 100 vezes por minuto em repouso. O sinal percorre os átrios, passa por uma estação de retardo, o nó atrioventricular, e se espalha pelos ventrículos, produzindo a contração.

A arritmia aparece quando o gerador falha, quando surge um foco elétrico competindo com ele, ou quando o sinal encontra um caminho em curto-circuito.

Os principais tipos

Extrassístoles

Batimentos adiantados que produzem a sensação de falha, tranco ou "coração pulando". São extremamente comuns, aparecem em pessoas saudáveis e costumam ser benignas. Preocupam quando são muito frequentes, quando surgem no esforço ou quando há doença cardíaca associada.

Fibrilação atrial

A arritmia sustentada mais comum. Os átrios param de contrair de forma organizada e passam a tremular, gerando batimento totalmente irregular. O risco principal não é o desconforto, é o AVC: o sangue parado no átrio pode formar coágulo. É por isso que o tratamento quase sempre inclui anticoagulação, calculada por escore de risco individual.

Flutter atrial

Parecido com a fibrilação, mas com circuito elétrico organizado. Costuma responder muito bem à ablação por cateter.

Taquicardia supraventricular

Episódios de início e fim abruptos, como um interruptor, com frequência de 150 a 220 por minuto. Típica de adultos jovens, sem doença cardíaca. Assusta muito e raramente é grave. Frequentemente tem cura definitiva com ablação.

Taquicardia ventricular

Originada nos ventrículos, é a de maior gravidade. Costuma ocorrer em corações com doença estrutural, como sequela de infarto. Pode evoluir para fibrilação ventricular e parada cardíaca.

Bradiarritmias e bloqueios

Batimento lento demais, por falha do nó sinusal ou por bloqueio na condução. Causam cansaço, tontura e desmaio. É a principal indicação de implante de marca-passo.

Os sintomas, e o que cada um sugere

SintomaO que costuma indicar
Falha ou tranco isoladoextrassístole, geralmente benigna
Batimento rápido e regular, começa e para de repentetaquicardia supraventricular
Batimento rápido e totalmente irregularfibrilação atrial
Batimento lento com cansaço e tonturabradiarritmia ou bloqueio
Palpitação com desmaio ou quase desmaioinvestigação urgente, sempre
Palpitação no esforço, com dor no peitoinvestigação urgente

Muita gente com fibrilação atrial não sente nada, e o diagnóstico aparece num exame de rotina. Ausência de sintoma não significa ausência de risco.

O que investigar antes de concluir que é do coração

Vários gatilhos produzem palpitação em coração normal:

  • Tireoide. O hipertireoidismo é causa clássica e frequentemente esquecida.
  • Anemia. O coração acelera para compensar.
  • Cafeína, energéticos, nicotina e descongestionantes.
  • Álcool. Gatilho reconhecido de fibrilação atrial, tanto que o fenômeno tem nome próprio na literatura.
  • Apneia do sono. Associação forte com fibrilação atrial, e tratável.
  • Ansiedade. Real, mas diagnóstico de exclusão. Vale entender a diferença entre palpitação causada por ansiedade e arritmia verdadeira.
  • Distensão abdominal. Pode estimular o nervo vago e gerar sensação de falha no batimento.

Os exames

  1. Eletrocardiograma. Simples e definitivo quando a arritmia está acontecendo no momento.
  2. Holter de 24 ou 48 horas. Registra o ritmo durante o dia inteiro. É o exame quando os episódios são frequentes.
  3. Monitor de eventos. Usado por semanas, para episódios raros.
  4. Teste ergométrico. Quando a palpitação aparece no esforço.
  5. Ecocardiograma. Verifica se existe doença estrutural por trás.
  6. Exames de sangue: TSH, hemograma, potássio e magnésio.
  7. Estudo eletrofisiológico. Invasivo, indicado quando se planeja ablação.

Tratamento

  • Remover o gatilho. Cafeína, álcool, apneia do sono, tireoide. Resolve boa parte dos casos leves.
  • Medicação antiarrítmica, para controlar o ritmo ou a frequência.
  • Anticoagulação, na fibrilação e no flutter atrial, conforme o escore de risco de AVC.
  • Cardioversão, elétrica ou química, para restaurar o ritmo normal.
  • Ablação por cateter, que queima ou congela o foco elétrico. Alta taxa de cura em taquicardia supraventricular e em flutter.
  • Marca-passo ou desfibrilador implantável, conforme o tipo.

Arritmia depois de cirurgia cardíaca

É situação à parte e muito frequente: a fibrilação atrial aparece em boa parte dos pacientes nos primeiros dias após a cirurgia, quase sempre de forma transitória, e costuma reverter antes da alta. Vale entender por que é normal ter arritmia depois da cirurgia cardíaca antes de se assustar com o monitor.

Quando é emergência

  • desmaio durante episódio de palpitação
  • dor no peito com batimento acelerado
  • falta de ar intensa
  • batimento irregular que não cede em mais de 30 minutos
  • frequência acima de 150 em repouso
  • frequência abaixo de 40 com tontura
  • confusão mental durante o episódio

Perguntas frequentes

Arritmia mata?

A maioria não oferece risco de vida. As ventriculares e a fibrilação ventricular são as perigosas, e ocorrem sobretudo em corações com doença estrutural. A fibrilação atrial não mata diretamente, mas eleva bastante o risco de AVC se não anticoagulada quando indicado.

Quem tem arritmia pode fazer academia?

Na maioria dos casos sim, após avaliação. O que define é o tipo de arritmia e a existência de doença estrutural. Palpitação que aparece durante o esforço exige investigação antes de liberar.

Arritmia tem cura?

Algumas sim, de forma definitiva, com ablação, principalmente a taquicardia supraventricular e o flutter atrial. Outras são controladas em vez de curadas.

Extrassístole é perigosa?

Em coração sem doença estrutural, quase sempre benigna, mesmo quando incomoda bastante. A investigação define se há algo por trás.

Como medir o pulso em casa?

Com os dedos indicador e médio no punho, do lado do polegar, conte por um minuto inteiro. Além do número, observe se o intervalo entre as batidas é regular ou irregular. Essa informação vale muito na consulta.

Arritmia causa inchaço nas pernas?

Indiretamente. Arritmia crônica não controlada pode levar à insuficiência cardíaca, e aí sim aparece o inchaço.

O que fazer no próximo episódio

Anote três coisas na hora: horário de início, se começou de repente ou aos poucos, e se o batimento estava regular ou irregular. Se puder, conte o pulso por um minuto. Muitos celulares e relógios registram um traçado que o cardiologista consegue interpretar. Esse registro no momento do episódio vale mais que qualquer exame feito depois, quando tudo já voltou ao normal.

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Sobre o autor

Juliana Moraes

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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