Cirurgia

Quanto custa uma cirurgia de marca-passo

O preço depende do dispositivo, do número de cabos e do hospital. Veja de que é feito o orçamento do marca-passo e a comparação entre particular, plano e SUS.

Juliana Moraes7 min de leitura
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O custo de um implante de marca-passo não é um número só. Ele se divide em três blocos que variam de forma independente: o gerador e os cabos, as taxas hospitalares e os honorários da equipe. É por isso que dois orçamentos para o mesmo procedimento, na mesma cidade, podem ter diferenças grandes.

Este texto abre a conta, explica o que faz o preço subir, e compara as três vias: particular, plano de saúde e SUS.

De que é feito o orçamento

1. O dispositivo

É o item de maior peso. O preço muda conforme o tipo:

  • Câmara única. Um cabo, estimulando apenas uma cavidade. O mais simples e o mais barato.
  • Dupla câmara. Dois cabos, coordenando átrio e ventrículo. É o mais usado, porque reproduz melhor o batimento natural.
  • Ressincronizador. Três cabos, indicado em insuficiência cardíaca com distúrbio de condução. Custa bem mais.
  • Desfibrilador implantável. Além de estimular, dá choque quando detecta arritmia grave. É o mais caro do grupo.
  • Marca-passo sem cabos. Cápsula implantada direto no ventrículo por cateter. Tecnologia mais recente e de custo elevado.

Some-se ao gerador o custo dos cabos, que é separado, e a diferença entre modelos com e sem compatibilidade para ressonância magnética, um detalhe que costuma passar despercebido no orçamento e faz falta anos depois.

2. Taxas hospitalares

Sala de hemodinâmica ou centro cirúrgico por hora, diárias, materiais de consumo, medicamentos e exames durante a internação. O implante costuma exigir apenas uma noite de internação quando não há intercorrência, o que ajuda a manter esse bloco menor que o de uma cirurgia aberta.

3. Honorários

Cirurgião ou eletrofisiologista, auxiliar e anestesista.

O que faz o preço subir

  • Número de cabos. Cada cabo adicional soma dispositivo e tempo de sala.
  • Ressincronizador ou desfibrilador em vez de marca-passo convencional.
  • Compatibilidade com ressonância, que encarece o modelo mas evita restrição futura de exame.
  • Troca de gerador com extração de cabos antigos, procedimento tecnicamente mais complexo que o primeiro implante.
  • Caráter de urgência, que sempre custa mais que o agendado.
  • Cidade e hospital. A variação regional é grande.

As três vias comparadas

ParticularPlano de saúdeSUS
Custo diretointegralmensalidade e eventual coparticipaçãonenhum
Escolha do modelolivreindicação médica, com três marcas equivalentespadronizado
Prazo eletivoimediatoaté 21 dias úteisfila regulada por gravidade
Urgênciaimediataimediataimediata
Acompanhamentopor contacobertocoberto

O implante de marca-passo tem cobertura obrigatória nos planos regulamentados, e o dispositivo também: material ligado ao ato cirúrgico não pode ser negado. A operadora pode solicitar três marcas equivalentes, mas não pode impor um modelo inadequado para o caso. Vale conhecer as regras de cobertura da cirurgia cardíaca pelo plano de saúde antes de aceitar uma negativa.

No SUS, o procedimento é feito em serviços habilitados em alta complexidade cardiovascular, os mesmos que concentram o maior volume de implantes do país. Volume tem relação direta com resultado.

Como pedir e comparar orçamentos

  1. Peça pelo menos três, em hospitais diferentes.
  2. Exija detalhamento por item. Valor fechado esconde onde está o custo e impede comparação.
  3. Confirme o modelo exato, incluindo número de cabos e se é compatível com ressonância magnética.
  4. Pergunte o que acontece se precisar de uma noite a mais de internação.
  5. Some o acompanhamento: a avaliação do dispositivo é periódica e dura a vida toda.
  6. Verifique o volume anual de implantes do serviço.

Quanto dura a bateria

O gerador de um marca-passo convencional costuma durar entre 8 e 12 anos, variando conforme o quanto o dispositivo é exigido. Desfibriladores e ressincronizadores duram menos, porque consomem mais energia.

Quando a carga acaba, não se troca a bateria: troca-se o gerador inteiro, num procedimento menor que o implante original, em geral aproveitando os cabos já existentes. Esse é um custo futuro que quase nunca entra na conta inicial e vale considerar desde já.

Como é o procedimento

É bem menos invasivo que uma cirurgia cardíaca aberta. Feito com anestesia local e sedação, dura de uma a duas horas. O gerador é alojado num bolsão sob a pele, abaixo da clavícula, e os cabos chegam ao coração por uma veia. Não se abre o tórax e não se para o coração.

A internação costuma ser de uma noite. Nas primeiras semanas há restrição de movimento amplo do braço do lado do implante, para permitir a fixação dos cabos.

Vida com marca-passo

  • Celular: use no ouvido oposto e evite guardar no bolso sobre o dispositivo.
  • Antifurto de loja e detector de aeroporto: passe sem parar, sem se demorar sobre o portal.
  • Forno de indução, micro-ondas e eletrodomésticos: sem restrição.
  • Ressonância magnética: só em modelos compatíveis e em serviço preparado. Por isso a escolha do modelo importa.
  • Solda elétrica e campos eletromagnéticos industriais: exigem avaliação específica.
  • Esporte: liberado, evitando impacto direto sobre o gerador e contato nas primeiras semanas.

Perguntas frequentes

Quanto custa uma cirurgia de marca-passo particular?

O valor depende principalmente do dispositivo escolhido, do número de cabos e do hospital. Um implante de câmara única fica bem abaixo de um ressincronizador ou de um desfibrilador. Peça três orçamentos detalhados por item e compare o mesmo modelo entre eles, senão a comparação não significa nada.

O plano de saúde cobre marca-passo?

Sim, o procedimento e o dispositivo têm cobertura obrigatória nos planos regulamentados. As carências são de até 180 dias para procedimento eletivo e de até 720 dias quando há doença preexistente declarada relacionada. Urgência é coberta em 24 horas.

Marca-passo dói para colocar?

O procedimento é feito com anestesia local e sedação, então não se sente dor durante. Nos primeiros dias há desconforto no local do bolsão, controlado com analgésico comum.

Quanto tempo de recuperação?

A maioria retoma atividades leves em poucos dias. A restrição principal é não elevar muito o braço do lado do implante por cerca de quatro a seis semanas.

Marca-passo tem prazo de validade?

O dispositivo não vence, mas a bateria se esgota em 8 a 12 anos em média, exigindo troca do gerador. O acompanhamento periódico avisa com antecedência de meses.

Quem tem marca-passo sente o coração diferente?

Em geral não. Alguns percebem o batimento mais regular do que antes. Sensação de choque ou soluço persistente merece avaliação do dispositivo.

O passo mais útil hoje

Peça ao seu cardiologista o relatório com a indicação, o CID e o modelo recomendado com o número de cabos. Com esse documento em mãos, os orçamentos ficam comparáveis entre si e a autorização pelo plano deixa de ser uma negociação e vira um trâmite.

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Sobre o autor

Juliana Moraes

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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