A saúde mental tem se tornado um assunto importante nas discussões sobre o ambiente de trabalho, especialmente durante o Janeiro Branco, um movimento que visa aumentar a conscientização sobre o bem-estar emocional. No país, a situação é alarmante: em 2024, mais de 470 mil trabalhadores foram afastados por problemas mentais, como ansiedade, depressão e estresse crônico. Este é o maior número de afastamentos por esses motivos na última década, de acordo com o Ministério da Previdência Social.

Os principais fatores que contribuem para o aumento dos afastamentos incluem a pressão por resultados, a constante conectividade, longas jornadas de trabalho e a dificuldade em equilibrar a vida pessoal com a profissional. Um estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que a ansiedade e a depressão são responsáveis pela perda de aproximadamente 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, gerando um impacto econômico de cerca de 1 trilhão de dólares.

Os efeitos da saúde mental no ambiente de trabalho podem não ser imediatamente aparentes. Sinais como a queda na produtividade, o aumento do absenteísmo (faltas ao trabalho), o presenteísmo (quando o funcionário está presente, mas não produtivo) e a alta rotatividade de pessoal costumam indicar problemas que precisam ser abordados. Por isso, muitas empresas veem o Janeiro Branco como uma oportunidade para iniciar diálogos e implementar políticas de prevenção e cuidado com a saúde emocional dos colaboradores.

Michel Cabral, CEO da Vixting, uma empresa de tecnologia focada em saúde ocupacional, destaca que o grande desafio é deixar de lado uma postura apenas reativa. Para ele, acompanhar indicadores como a frequência de atestados médicos, o tempo de retorno ao trabalho e as taxas de absenteísmo é fundamental para identificar padrões de risco e intervir antes que problemas se agravem. Assim, o cuidado com a saúde mental deve ser parte da estratégia da organização.

Nesse cenário, a tecnologia desempenha um papel crucial. Plataformas digitais de saúde ocupacional ajudam a integrar dados, mapear riscos psicossociais e auxiliar no cumprimento de normas, como a NR-1, que trata da gestão desses fatores. O Janeiro Branco não deve ser visto apenas como uma campanha temporária, mas como um convite para colocar a saúde mental como prioridade nas decisões empresariais, promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.

Juliana Borges

Nutricionista atuando online e presencialmente em Goiânia, sou ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira na categoria Wellness nos anos de 2018 e 2019. Atualmente, escrevo como colunista de saúde no site CirurgiaCoracao.

Comments are closed.