1,4 milhão de brasileiros já têm diagnóstico de transtorno de jogo. O vício em apostas digitais virou emergência de saúde pública. As bets estão por toda parte: nas telas, nos estádios, nas camisas de futebol.

A publicidade agressiva atrai milhões. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, 7,3% da população tem relação problemática com apostas. São 11 milhões de pessoas a partir dos 14 anos em risco.

O transtorno de jogo é reconhecido pela OMS. A psicóloga Mirella Mariani, do Instituto de Psiquiatria da USP, descreve os sintomas. Falta de controle sobre tempo e dinheiro. Pensamento constante em tentar a sorte. Mentiras sobre a real situação.

O distúrbio vem junto com depressão e ansiedade. O risco de suicídio é alarmante. Estudo norueguês no The Lancet mostra que o atentado contra a própria vida é a principal causa de morte nesse público.

Jessica Lobo, ativista do Ceará, gere mais de 20 grupos de apoio. Ela perdeu a irmã Ângela Maria, que se matou aos 38 anos com R$ 1 milhão em dívidas. Todos os dias, famílias pedem ajuda contra o vício.

Ivani Oliveira, do Conselho Federal de Psicologia, defende que o indivíduo não seja culpado. O problema é coletivo, diz ela.

O salário mínimo no Brasil é quase cinco vezes menor que o ideal. O Dieese aponta que o piso é de R$ 1.640, quando deveria ser R$ 7.892,55. Quatro em cada cinco famílias têm dívidas, segundo a CNC.

O economista Ahmed Sameer El Khatib, da Unifesp, explica o desconto hiperbólico. O cérebro prefere recompensas imediatas, mesmo que menores. As bets prometem ganhos fáceis e liberam dopamina a cada rodada.

O psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, da ABP, compara o transtorno de jogo à dependência química. Os circuitos cerebrais de recompensa e controle dos impulsos são os mesmos. O acesso na palma da mão potencializa o risco.

O setor de apostas investiu até R$ 8,8 bilhões em marketing em 2024, segundo o Itaú Unibanco. Cada pessoa atraída pode render até sete vezes o gasto para fisgá-la. As propagandas mostram influenciadores vencendo na vida, longe da realidade.

O relatório A Saúde dos Brasileiros em Jogo, do IEPS, aponta um custo social de R$ 38,8 bilhões ao ano. 80% desse valor é dano à saúde do usuário. São R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio, R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida por depressão e R$ 3 bilhões em tratamentos médicos.

Juliana Moraes

Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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