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Check-up cardiológico: exames e a partir de que idade

Quais exames formam um check-up cardiológico, quando começar conforme o seu risco e de quanto em quanto tempo repetir cada um. Guia prático e completo.

Marco Jean7 min de leitura
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A doença cardiovascular é a principal causa de morte no Brasil, e a maioria dos infartos acontece em pessoas que não sabiam ter risco elevado. Isso não é falta de sorte, é falta de medida: pressão alta, colesterol elevado e diabetes em fase inicial não provocam sintoma nenhum. O único jeito de descobrir é medir.

Este guia lista quais exames compõem um check-up cardiológico, a partir de que idade cada um faz sentido e com que frequência repetir.

A partir de que idade fazer o primeiro check-up

Não existe uma idade única, existe uma combinação de idade e risco.

PerfilQuando começar
Sem fator de risco conhecidoaos 40 anos, homens; aos 45, mulheres
Com pai, mãe ou irmão que teve evento cardíaco precoce10 anos antes da idade em que o familiar teve o evento
Hipertensão, diabetes, obesidade ou tabagismoimediatamente, em qualquer idade
Colesterol muito alto na famíliana infância ou adolescência
Quem vai iniciar exercício intenso após anos paradoantes de começar

Evento cardíaco precoce significa antes dos 55 anos em homens e antes dos 65 em mulheres. Esse é o dado familiar que mais muda a conduta e é o que as pessoas menos sabem informar. Vale perguntar em casa antes da consulta.

Os exames que formam a base

Medida da pressão arterial

Simples e o de maior impacto. A hipertensão é o principal fator de risco modificável para infarto e AVC, e é assintomática na imensa maioria dos casos. Quando há dúvida entre pressão real e pressão de consultório, o MAPA de 24 horas resolve.

Perfil lipídico

Colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. O número que mais importa é o LDL, e a meta varia conforme o risco individual: quanto maior o risco, mais baixo o alvo. Duas pessoas com o mesmo LDL podem ter condutas completamente diferentes.

Glicemia de jejum e hemoglobina glicada

A hemoglobina glicada mostra a média dos últimos três meses e detecta o pré-diabetes, fase em que a intervenção ainda evita a progressão.

Eletrocardiograma de repouso

Registra o ritmo e a condução elétrica. Detecta arritmias, sinais de sobrecarga das câmaras e sequelas de infarto silencioso. Rápido e sem preparo.

Circunferência abdominal e índice de massa corporal

A gordura abdominal se correlaciona melhor com risco cardiovascular do que o peso isolado. Acima de 102 centímetros em homens e 88 em mulheres, o risco sobe de forma independente.

Função renal e ácido úrico

Creatinina com cálculo da taxa de filtração glomerular. O rim é órgão-alvo da hipertensão e o comprometimento renal muda a escolha das medicações.

Os exames de segunda linha

Não são para todo mundo. Entram conforme o resultado da avaliação inicial.

Teste ergométrico

Avalia o comportamento do coração sob esforço. Indicado quando há sintoma aos esforços, risco intermediário ou antes de iniciar atividade física vigorosa após longo período de sedentarismo.

Ecocardiograma

Mostra tamanho das câmaras, espessura das paredes, força de contração e funcionamento das válvulas. Indicado quando há sopro, hipertensão de longa data, alteração no eletrocardiograma ou sintomas como falta de ar.

Escore de cálcio coronariano

Tomografia sem contraste que quantifica a calcificação nas artérias coronárias. É o exame que mais refina a estimativa de risco em pessoas assintomáticas de risco intermediário. Um escore zero é uma informação tranquilizadora e sólida.

Ultrassom de carótidas

Mede a espessura da parede e identifica placas. Serve como marcador de aterosclerose em outros territórios.

Holter de 24 horas

Indicado quando há palpitação, tontura ou desmaio sem causa definida.

Com que frequência repetir

  • Pressão arterial: em toda consulta, e em casa periodicamente para quem tem hipertensão.
  • Perfil lipídico e glicemia: a cada um ou dois anos se normais; a cada três a seis meses se em tratamento.
  • Eletrocardiograma: a cada um a dois anos após os 40, ou conforme indicação.
  • Ecocardiograma e teste ergométrico: conforme indicação clínica, não de rotina.
  • Escore de cálcio: em geral não se repete antes de cinco anos.

Por que os homens chegam mais tarde

Os dados de utilização dos serviços de saúde mostram consistentemente que homens procuram atendimento com menos frequência e em estágio mais avançado. Três razões aparecem sempre: ausência de uma rotina de acompanhamento equivalente à que muitas mulheres estabelecem cedo, a percepção de que sintoma leve não justifica consulta, e a dificuldade de encaixar exames no horário de trabalho.

Essa última é a mais fácil de resolver. Clínicas que concentram exames de imagem e avaliações clínicas num único agendamento reduzem o número de deslocamentos e aumentam bastante a adesão. A SPX Diagnóstico por Imagem é um exemplo de serviço organizado nesse formato, com o roteiro de check-up masculino reunido numa só visita.

O que levar para a consulta

  • lista de medicações em uso, incluindo suplementos
  • exames anteriores, mesmo antigos, para comparação de tendência
  • histórico familiar com idades: quem teve evento cardíaco e com quantos anos
  • medidas de pressão feitas em casa, se houver
  • relato honesto sobre tabagismo, álcool e atividade física

A tendência ao longo do tempo vale mais que o valor isolado. Um LDL que subiu de 110 para 145 em três anos diz mais que um resultado único de 145.

Perguntas frequentes

Check-up cardiológico detecta risco de infarto?

Ele estima o risco, não prevê o evento. A combinação de fatores clínicos com exames como o escore de cálcio produz uma estimativa bastante útil para decidir se vale iniciar medicação preventiva.

Quem é jovem e faz exercício precisa de check-up?

Quem pratica esporte competitivo ou vai iniciar treino intenso deve fazer avaliação, sim. Existem condições genéticas que se manifestam justamente no esforço em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.

Preciso estar em jejum?

Para o perfil lipídico o jejum deixou de ser obrigatório na maioria das situações. Para glicemia de jejum, sim. Confirme ao agendar, porque varia conforme o laboratório.

Exame normal significa que está tudo bem para sempre?

Significa que está bem naquele momento. Risco cardiovascular é dinâmico e muda com peso, hábitos, idade e novas doenças. Por isso a repetição periódica importa.

Vale fazer todos os exames de uma vez?

Não. Pedir exame sem indicação gera achados de significado incerto, ansiedade e novos exames em cadeia. O check-up bem feito é o que começa pela conversa e pelo cálculo de risco, e só então escolhe o que investigar.

O que fazer nesta semana

Se você tem mais de 40 anos e não mede a pressão há mais de um ano, comece por aí. É o exame mais barato, mais rápido e o que mais muda desfecho. O resto do roteiro se organiza a partir dele.

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Sobre o autor

Marco Jean

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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