Mudanças nas Recomendações para Atletas com Problemas Cardíacos
Pesquisas recentes mostram que alguns atletas com problemas cardíacos podem participar de esportes competitivos, desde que haja um diálogo claro com os médicos sobre os riscos. Isso faz parte de uma nova declaração científica divulgada pela Associação Americana do Coração.
A nova declaração, intitulada “Considerações Clínicas para Participação em Esportes Competitivos por Atletas com Anomalias Cardiovasculares”, traz atualizações importantes baseadas em estudos dos últimos dez anos. A versão anterior foi publicada em 2015.
Antigamente, atletas com doenças no coração eram proibidos de praticar esportes automaticamente, independentemente do problema. O Dr. Jonathan H. Kim, que liderou a equipe de redação, explica que agora a abordagem é diferente. Olha-se para cada caso e se discute os riscos e benefícios com os atletas.
Isso reflete uma melhor compreensão do que chamamos de “coração do atleta”. Esse termo se refere às mudanças que o coração sofre devido ao treinamento intenso. Estudos dos últimos anos indicam que os riscos de participação em esportes não são tão altos quanto se pensava, permitindo que muitos atletas voltem a jogar com segurança.
Enquanto as declarações anteriores classificavam os esportes em categorias rígidas, a nova abordagem reconhece que cada atleta é único e treina de maneira diferente. A competição é notavelmente específica, englobando tanto atletas profissionais quanto amadores.
A nova declaração aborda atletas que antes não eram considerados. Por exemplo, inclui uma seção para atletas masters, ou seja, aqueles acima dos 35 anos, com doenças como problemas nas artérias coronárias ou arritmias. Também há informações sobre atletas que praticam esportes radicais, como mergulho ou atividades em altitudes elevadas, além de orientações para mulheres grávidas.
Os autores comentam que, em algumas situações, os riscos para atletas com problemas cardíacos podem superar os benefícios da competição. É importante que cada caso seja analisado cuidadosamente.
Atualizações e Recomendações
Uma das recomendações é a realização de triagem cardíaca antes da participação em esportes, especialmente em jovens atletas. Os médicos devem começar com uma avaliação de 14 pontos, que envolve exames físicos e perguntas sobre histórico de saúde familiar e pessoal. Um eletrocardiograma (ECG) pode ser solicitado para atletas que não apresentam sintomas.
Para aqueles que usam anticoagulantes, há diretrizes específicas sobre quais esportes praticar. Atividades com maior risco de lesões, como futebol americano ou esqui, devem ser avaliadas com cautela.
Antes, atletas com cardiomiopatias não podiam competir. Agora, a nova orientação sugere que a restrição não deve ser aplicada de forma generalizada. Com a supervisão médica, muitos poderão participar de competições com determinados tipos de cardiomiopatias.
Antes, a orientação para quem tinha miocardite era de não competir por um período de três a seis meses. Isso se baseava apenas em opiniões de especialistas. Com a nova pesquisa, muitos atletas podem voltar a competir antes do que se imaginava, geralmente em menos de três meses.
O documento também fala de ateltas jovens com problemas na aorta. Agora, diz que nem todos devem ser impedidos de participar de esportes, oferecendo mais detalhes sobre como avaliar essas situações.
Outro assunto destacado na nova declaração é a taquicardia ventricular polimórfica catecolaminérgica, uma condição que anteriormente impedia atletas de competir. Com a ajuda de cuidados médicos adequados, a participação em esportes competitivos pode ser considerada.
Necessidade de Mais Pesquisa
Ainda há muitas lacunas no conhecimento sobre como atletas com doenças cardíacas desempenham nas competições e como isso pode afetar sua saúde. O estudo “Outcomes Registry for Cardiac Conditions in Athletes” (ORCCA) é o primeiro a acompanhar atletas com condições cardíacas potencialmente graves.
Além disso, precisa-se entender melhor como desigualdades sociais impactam a saúde de atletas com problemas cardíacos. Dr. Kim ressaltou que há uma maior incidência de morte súbita em jovens atletas negros, mas não se sabe exatamente o porquê. É necessário estudar mais as desigualdades, pois isso pode influenciar a saúde dos atletas.
Essa nova declaração foi elaborada por uma equipe voluntária da Associação Americana do Coração. O objetivo é aumentar a conscientização sobre doenças cardíacas e ajudar os profissionais de saúde a tomar decisões melhor informadas. É um passo importante para entender o que já se conhece e o que ainda precisa ser pesquisado.
Vale lembrar que as recomendações da Associação não são diretrizes de tratamento, mas ajudam a estruturar melhores práticas médicas.

