Pesquisadores descobrem nova abordagem para tratar doenças cardiovasculares

23 de maio de 2022 — Uma proteína específica nas células dos vasos sanguíneos desempenha um papel importante no desenvolvimento de doenças vasculares e cardiovasculares: a presença de muitos “receptores de tromboxano A2” dificulta a formação de novos vasos sanguíneos. Uma equipe de pesquisa liderada pela Martin Luther University Halle-Wittenberg (MLU) foi capaz de descrever o processo subjacente pela primeira vez. As descobertas, publicadas em “Arteriosclerose, Trombose e Biologia Vascular” poderia ajudar a desenvolver novas formas de tratamento de doenças cardiovasculares.

A formação de vasos sanguíneos é um processo complexo. “Vários processos de inibição e estimulação devem trabalhar juntos como engrenagens em uma roda. Certas células dos vasos sanguíneos, as chamadas células endoteliais, desempenham um papel fundamental neste processo, regulando a troca entre sangue e tecido”, explica o principal autor, professor Ralf Benndorf, um farmacologista do Instituto de Farmácia da MLU. Os pesquisadores investigaram uma proteína importante para a hemostasia: o receptor de tromboxano A2, que faz as plaquetas se unirem e está envolvido na constrição dos vasos sanguíneos. “Já sabíamos que pacientes com doenças cardiovasculares e alterações patológicas em seus vasos sanguíneos tinham um número maior dessas proteínas receptoras em seus vasos sanguíneos”, acrescenta Benndorf. No entanto, não estava claro se esse achado tinha alguma relevância clínica, ou seja, se havia uma relação entre esse número aumentado e o desenvolvimento da doença.

Ao decifrar uma interação complexa desencadeada por essa proteína receptora, os pesquisadores conseguiram preencher essa lacuna. De acordo com os experimentos, o problema surge se os vasos sanguíneos contêm muita proteína. “O receptor garante que a produção da enzima pró-inflamatória ciclooxigenase-2 seja acionada. Essa enzima, por sua vez, produz substâncias mensageiras que ativam o receptor”, explica Benndorf. Este ciclo de ativação constante e auto-reforçado do receptor nas células dos vasos sanguíneos significa que as células têm dificuldade em formar novos vasos sanguíneos. Também restringe significativamente a função das células endoteliais. “Sob o microscópio, você pode ver como as células estão realmente tensas se houver uma densidade maior de receptores”, diz Benndorf.

Ainda é incerto por que a proteína ocorre com mais frequência nas células dos vasos sanguíneos de pessoas com doenças cardiovasculares. “No entanto, é um biomarcador promissor e pode ser um alvo interessante para intervenções farmacológicas”, diz Benndorf. Os efeitos nocivos nas células podem ser revertidos com a ajuda de substâncias que bloqueiam a ação do receptor e da enzima. “Inibir o receptor pode, portanto, representar uma nova opção de tratamento para pacientes que têm níveis elevados do receptor de tromboxano A2 em seus vasos sanguíneos. Isso pode melhorar a função e regeneração vascular”, diz Benndorf.

Os primeiros medicamentos direcionados à proteína já estão em testes clínicos para uso em outras aplicações. “Mesmo que as substâncias ainda não tenham sido aprovadas, os resultados dos ensaios clínicos indicam que são bem toleradas e podem melhorar a função vascular”, diz Benndorf. As investigações atuais ocorreram em culturas de células e em estudos em animais de laboratório. Um estudo mais aprofundado do potencial benefício terapêutico em modelos de doenças pré-clínicas é necessário antes que eles possam ser testados ou usados ​​em humanos.

O trabalho foi financiado pela Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG, Fundação Alemã de Pesquisa) e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

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