Guimarães Rosa foi médico antes de se tornar escritor. A informação está na biografia escrita pelo jornalista Leonencio Nossa. O livro revela o atendimento precário no interior de Minas Gerais.

Em 1931, aos 23 anos, Rosa atendeu uma mulher baleada pelo marido. O homem flagrou a esposa em adultério e atirou nela. O caso ocorreu em Itaguara, a 95 quilômetros de Belo Horizonte.

A mulher chegou quase morta ao consultório do futuro autor de Grande Sertão: Veredas. Após a alta, o médico cobrou o marido. Ele se recusou a pagar. Tempos depois, o casal se reconciliou e a fatura foi quitada.

Rosa se formou em medicina em 1930, pela Faculdade de Medicina de Minas Gerais, atual UFMG. Ele ingressou no curso aos 16 anos. Na faculdade, conviveu com o escritor Pedro Nava e com Juscelino Kubitschek.

O médico morou em Itaguara com a mulher, Lygia Cabral Penna, a Lili. Não havia luz elétrica nem água encanada no local. O consultório funcionava na própria casa.

Atendimento na zona rural

Na zona rural, o valor da consulta dependia da distância percorrida a cavalo. A informação é de Érico Melo, doutor em Literatura Brasileira pela USP. Rosa era chamado de madrugada e não recusava pacientes.

Ele atendia de picadas de cobra a casos de malária. A filha do escritor, Vilma Guimarães Rosa, contou que o pai galopava a noite inteira para atender os doentes. O desespero dele era não conseguir salvar alguns pacientes.

Nessas ocasiões, Rosa atendia a família inteira. Sem dinheiro, os sertanejos pagavam com ovos, bolos e aves. Para os chamados doentes imaginários, Lili criou um placebo: xarope de groselha com água e açúcar.

A carreira médica foi curta. Rosa passou a estudar para o Itamaraty e foi aprovado em 1934, em segundo lugar.

Saúde debilitada

Em 1959, Rosa escreveu uma carta ao pai, Seu Florduardo. Ele relatou o diagnóstico de hipertensão e as recomendações médicas. As orientações incluíam dormir mais, viver com calma e não se preocupar.

Apesar de médico, Rosa cuidava pouco da saúde. Ele era fumante, sedentário e cardiopata. O escritor estava acima do peso e trabalhava em excesso. Ele sofreu infartos ao longo da vida.

Um infarto fulminante o matou em 19 de novembro de 1967. O ataque cardíaco ocorreu três dias depois da posse na Academia Brasileira de Letras. Rosa tinha 59 anos.

Juliana Moraes

Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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