Um novo modelo de inteligência artificial (IA) mostrou-se muito mais eficaz do que médicos ao identificar pacientes com risco de parada cardíaca. Esse sistema é capaz de analisar imagens do coração que não eram muito utilizadas e um conjunto amplo de registros médicos, revelando informações sobre a saúde cardíaca dos pacientes.
Esse trabalho, financiado pelo governo, foi feito por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins. Os resultados podem salvar muitas vidas e evitar intervenções médicas desnecessárias, como a colocação de desfibriladores que não são realmente necessários. Segundo Natalia Trayanova, uma das pesquisadoras que trabalha com IA na cardiologia, muitos pacientes estão morrendo cedo por não estarem protegidos, enquanto outros fazem uso de desfibriladores sem necessidade.
As descobertas foram publicadas na revista Nature Cardiovascular Research. A cardiomiopatia hipertrófica (CHF) é uma das doenças cardíacas hereditárias mais comuns, afetando uma pessoa a cada 200 a 500 no mundo todo e é uma das principais causas de morte súbita em jovens e atletas.
A maioria dos pacientes com CHF vive normalmente, mas uma parte significativa apresenta alto risco de morte súbita. Até agora, os médicos têm encontrado dificuldade para identificar esses casos. As diretrizes clínicas em uso nos EUA e na Europa têm apenas 50% de chance de identificar corretamente os pacientes mais vulneráveis, o que não é muito diferente de jogar dados, segundo Trayanova.
O modelo da equipe de pesquisa superou bastante as diretrizes clínicas, sem se limitar a nenhum grupo específico. O modelo, chamado de IA Multimodal para Estratificação de Risco de Arritmias Ventriculares (MAARS), analisa uma variedade de dados médicos e, pela primeira vez, verifica informações contidas nas imagens de ressonância magnética (IRM) do coração.
Pacientes com cardiomiopatia hipertrófica desenvolvem fibrose, ou cicatrização, no coração, o que aumenta o risco de morte súbita. Embora os médicos tenham dificuldade em interpretar as imagens de IRM, o modelo de IA conseguiu identificar padrões críticos de cicatrização. Trayanova comentou que, até agora, não usavam aprendizado profundo nessas imagens, e a equipe conseguiu captar informações ocultas que normalmente não eram consideradas.
Os pesquisadores testaram o modelo com pacientes reais tratados seguindo as diretrizes clínicas tradicionais em dois locais: o hospital Johns Hopkins e o Instituto de Coração e Vascular Sanger, na Carolina do Norte. Enquanto as diretrizes clínicas acertavam cerca de metade das vezes, o modelo de IA alcançou 89% de precisão em todos os pacientes e, de forma crucial, 93% entre pessoas de 40 a 60 anos, que constituem o grupo mais arriscado entre os pacientes com CHF.
Além disso, o modelo de IA é capaz de explicar por que certos pacientes estão em risco elevado, permitindo que os médicos adaptem os planos de tratamento às necessidades individuais de cada um. Jonathan Crispin, cardiologista da Johns Hopkins e coautor do estudo, destacou que essa IA aprimora significativamente a capacidade de prever quais pacientes estão em maior risco, o que pode transformar os cuidados clínicos.
Em 2022, a equipe de Trayanova já havia criado um modelo de IA diferente para oferecer uma avaliação de sobrevivência personalizada para pacientes com infartos, prevendo se e quando esses pacientes morreriam de parada cardíaca. As pesquisas vão continuar, e a equipe planeja testar o novo modelo em mais pacientes e expandir o algoritmo para outras doenças cardíacas, como sarcoidose cardíaca e cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito.
A equipe é composta por várias pessoas de Johns Hopkins, além de pesquisadores do Centro de Excelência em Cardiomiopatia Hipertrófica da Universidade da Califórnia em San Francisco e outros especialistas de saúde. A colaboração mostra como o uso de inteligência artificial pode abrir novas portas e melhorar o diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas.
Esses avanços no campo da tecnologia médica trazem esperança de que mais vidas possam ser salvas e que intervenções sejam feitas de maneira mais acertada e focada nas necessidades dos pacientes. A junção da inteligência artificial com a medicina pode mudar a forma como lidamos com doenças graves, como a cardiomiopatia hipertrófica, e trazer mais segurança para os pacientes.
Dessa forma, a aplicação contínua da IA promete melhorar a qualidade do cuidado ao paciente e trazer mais eficiência para o sistema de saúde como um todo. Isso é um passo significativo para a medicina moderna, que busca a precisão e a efetividade no tratamento. A expectativa é que, com esses avanços, os médicos possam oferecer um atendimento mais seguro e eficaz, alinhando tecnologia e conhecimento médico.

