11 milhões de brasileiros já apostaram e correm risco de desenvolver relação patológica com jogos de azar. O dado é do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad). Outros 1,4 milhão já poderiam receber diagnóstico de transtorno do jogo.
O Instituto Vita Alere, especializado em prevenção do suicídio, organizou uma cartilha para ajudar quem precisa recuperar autonomia financeira e saúde mental. O material traz orientações para lidar com dívidas, ansiedade e depressão.
Segundo a psicóloga Karen Scavacini, fundadora do instituto, dados do Ministério da Saúde indicam que três a cada quatro pacientes apresentam outros transtornos. Depressão, ansiedade e abuso de álcool estão entre os mais comuns. Ela afirma que pessoas vulneráveis caem no marketing das plataformas.
Sete passos para superar o vício
O primeiro passo é fazer a autoexclusão. O governo federal desenvolveu plataforma para bloquear o próprio acesso às bets autorizadas. Basta informar o CPF e escolher o tempo de afastamento.
O segundo é se afastar dos gatilhos. A orientação é desinstalar aplicativos, deixar de seguir influenciadores e bloquear conteúdos. Também é recomendado pedir a alguém de confiança que mude senhas de saque em bancos e remover cartões de crédito dos sites.
O terceiro passo é contar para alguém. O documento sugere escolher uma pessoa de confiança, não necessariamente a mais próxima, mas a mais segura. Quem não tiver alguém pode procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV). O atendimento funciona 24 horas pelo número 188 e pelo chat do site cvv.org.br.
O quarto passo é buscar atendimento no SUS. O paciente pode ser encaminhado a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou usar o aplicativo Meus SUS Digital. O serviço permite realizar até 13 consultas em videochamada com equipe multiprofissional.
O quinto passo é resolver a parte financeira. A orientação é evitar empréstimos para pagar dívidas de jogo, pois isso alimenta o problema. O documento recomenda procurar o Procon do município para orientação sobre renegociação e superendividamento. Defensorias Públicas também têm núcleos de atendimento ao consumidor.
O sexto passo é considerar um grupo de apoio. Há grupos gratuitos em todas as regiões do Brasil, como os Jogadores Anônimos (JA).
O sétimo passo é cuidar do básico. A recomendação é manter rotina regular de sono, alimentação e atividade física. Evitar álcool e outras drogas também é essencial nesse período. O documento indica que a ansiedade da abstinência diminui mais rápido quando o resto está em ordem.

