A percepção de aumento das dores reumáticas no frio é comum. Segundo a reumatologista Ana Paula Luppino Assad, isso ocorre em condições como artrose, artrite e fibromialgia. O mecanismo ainda não é totalmente conhecido. Pode envolver redução da circulação sanguínea nas extremidades. Mudanças nas articulações e no líquido lubrificante também podem contribuir.
O fator mais importante, porém, é comportamental. No inverno, as pessoas se movimentam menos. Caminham menos, adiam a academia e ficam mais tempo sentadas. A musculatura fica mais contraída. Para quem já tem dor articular ou lombar, isso aumenta a rigidez e o desconforto.
A boa notícia é que sentir mais dor no frio não significa, necessariamente, que a articulação esteja mais inflamada. Também não indica que a doença esteja piorando. A principal recomendação é manter-se ativo. Fortalecimento, caminhada e alongamento ajudam a preservar mobilidade e força. Banhos mornos, compressas quentes e roupas adequadas também são úteis.
Analgésicos e relaxantes musculares podem ser úteis. Mas é importante evitar a automedicação. O uso indiscriminado de anti-inflamatórios traz riscos para rins, estômago e sistema cardiovascular. Nem todo desconforto deve ser atribuído ao frio. Articulações inchadas, rigidez prolongada ao acordar, perda de força ou dor persistente merecem avaliação médica.
Outro sinal importante é o fenômeno de Raynaud. Os dedos podem ficar brancos ou arroxeados no frio. Depois, ficam avermelhados ao aquecer. Na maioria das vezes, isso ocorre de forma isolada. Porém, quando surge após os 30 anos, é muito intenso ou provoca feridas nas pontas dos dedos, pode estar associado a doenças autoimunes. Nesse caso, deve ser investigado.
Na maioria das vezes, sentir mais dor no frio é algo comum. Manter o corpo aquecido, continuar em movimento e cuidar da rotina ajuda a atravessar os meses frios com mais conforto. A reumatologista é doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP e membro da comissão científica da Sociedade Paulista de Reumatologia.

