A legislação brasileira sobre publicidade de álcool não acompanhou a internet. A lei é de 1996. As redes sociais não existiam na época. A Copa do Mundo de 2026 expõe essa falha.
Crianças e adolescentes são atingidos por campanhas de álcool. Marcas usam o ambiente digital sem controle. A lei nº 9.294/96 só permite anúncios de destilados no rádio e na TV entre 21h e 6h. A regra também proíbe associar o produto a esportes.
Segundo a Vital Strategies, a publicidade de cerveja é autorregulada e mais permissiva. Nas redes sociais, as restrições de horário não funcionam. Marcas de vodca e cachaça criaram campanhas ligadas ao futebol. Uma delas fotografou a garrafa sobre o gramado de um estádio. Outra desenhou a garrafa como figurinha de jogador.
A Fifa estima que as marcas da Copa alcançarão 6 bilhões de pessoas. Esse público inclui menores de 18 anos. A própria entidade afirma que o torneio busca conquistar novas gerações de torcedores. A comunicação comercial do evento, inclusive a de cerveja, atinge esse mesmo grupo.
O álcool causa mais de 200 tipos de doenças. Em 2019, matou mais de 100 mil pessoas no Brasil. Os custos com perdas de produtividade chegam a aproximadamente R$ 20 bilhões por ano. A diretora adjunta da Vital Strategies, Luciana Vasconcelos, afirma que a lei precisa ser atualizada para proteger a saúde pública.

