Excesso de exames e consultas com especialistas pode estar encarecendo os planos de saúde. O alerta é do reumatologista Eduardo de Souza Meirelles, membro da Brazil Health. Segundo ele, há uma inversão de valores no setor.
Pacientes incentivam pedidos de exames em excesso. Também preferem vários especialistas a um clínico geral. O médico generalista poderia resolver a maioria dos casos com custo menor. Muitos profissionais são coniventes com essas práticas, afirma Meirelles.
Isso gera desperdício com procedimentos desnecessários ou em duplicidade. A taxa de sinistralidade dos planos coletivos aumenta. Esse percentual mede a relação entre custos dos serviços e o valor recebido pela operadora. O aumento é repassado aos beneficiários via reajustes anuais. Os reajustes podem chegar a 30%, com anuência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O modelo centrado em volume de procedimentos é questionado globalmente. Países do primeiro mundo adotam políticas de incentivo à atenção primária. Valorizam o médico generalista e estudos de custo-efetividade. Mudam também os modelos de remuneração.
Essas transformações respondem aos altos custos em saúde. O aumento da longevidade e as novas tecnologias elevam esses custos. O conceito de Cuidado em Saúde Baseado em Valor (VBHC) surge como alternativa. Ele propõe substituir sistemas que priorizam volume e produtividade.
Modelos como Pagamento por Serviço (Fee for Service) e Grupos Relacionados por Diagnóstico (DRG) são deixados de lado. Formatos pré-pagos, como Capitation e Pagamento por Pacote (Bundle), também perdem espaço. Modelos híbridos, como Pagamento por Performance (P4P) e VBHC, ganham força. Eles premiam metas de qualidade e desfechos clínicos relevantes para o paciente.
Há desafios na implementação. Na teoria, os novos modelos trazem qualidade e sustentabilidade. Na prática, exigem mudanças culturais e comportamentais de todos os envolvidos. Precisam de negociações no modelo ganha-ganha para distribuição equânime dos ganhos.

