Pedalar traz sensação de liberdade e é uma forma simples de cuidar da saúde, mas o corpo sente quando algo está errado.

Dor no joelho, dormência nas mãos, incômodo nas costas ou no pescoço são sinais de alerta que aparecem em muitos ciclistas, desde iniciantes até quem já treina há anos.

Na maioria das vezes, essas lesões surgem aos poucos, por causa de postura errada, selim mal ajustado, guidão muito baixo ou excesso de treino sem descanso.

O problema é que muita gente ignora os sinais, toma remédio por conta própria e segue pedalando, o que pode piorar o quadro com o passar do tempo.

Conhecer as lesões mais comuns ajuda a identificar cedo quando algo não vai bem. Com alguns ajustes na bicicleta, fortalecimento muscular e apoio médico em situações específicas, é possível reduzir a dor, evitar afastamentos do treino e manter o pedal como uma atividade prazerosa e segura.

Por que as lesões em ciclistas são tão frequentes?

O movimento da pedalada é repetitivo. Isso significa que os mesmos músculos, tendões e articulações são usados por muito tempo, em treinos e provas.

Pequenos erros, repetidos várias vezes, acabam virando lesão.

  • Altura do selim desregulada;
  • Guidão muito baixo ou muito distante;
  • Cadência muito pesada o tempo todo;
  • Falta de alongamento e fortalecimento;
  • Pausas de descanso insuficientes.

Quedas e acidentes de trânsito também entram na lista. Nesse caso, o risco é maior para fraturas, lesões de ombro, punho e cabeça, o que reforça o uso de capacete e equipamentos de proteção.

As 7 lesões mais comuns em ciclistas

1. Dor no joelho

O joelho é uma das regiões que mais sofre com o pedal. A dor pode aparecer na frente, ao redor da patela, ou na parte interna e lateral, incomodando principalmente em subidas ou em treinos longos.

  • Selim muito baixo aumenta a pressão no joelho;
  • Marcha pesada sobrecarrega tendões e cartilagens;
  • Falta de fortalecimento da coxa e do quadril agrava o quadro.

Para aliviar, vale reduzir a carga dos treinos, ajustar a altura do selim, usar marcha mais leve e procurar avaliação com ortopedista ou fisioterapeuta se a dor persistir.

2. Neurite do ciclista (compressão de nervos nas mãos)

A chamada neurite do ciclista é bem comum em quem passa muito tempo com as mãos apoiadas no guidão.

A compressão dos nervos da mão, principalmente o ulnar, gera dormência, formigamento e, em alguns casos, dor que desce para o antebraço.

  • Formigamento nos dedos anelar e mínimo;
  • Sensação de “choque” ou perda de força ao segurar objetos;
  • Piora após pedais longos ou terrenos irregulares.

Algumas atitudes ajudam bastante: usar luvas acolchoadas, trocar a posição das mãos com frequência, revisar a altura e distância do guidão e evitar apoiar o peso do corpo todo nos punhos.

Quando os sintomas não melhoram ou atrapalham tarefas simples, é importante buscar ajuda especializada.

Nesses casos, o ortopedista pode indicar um tratamento para neurite do ciclista adequado para cada situação.

3. Dor lombar

A posição inclinada sobre a bicicleta exige bastante da musculatura da coluna. Se o core (abdômen e região lombar) está fraco, a coluna paga o preço, gerando dor, travamentos e sensação de peso nas costas.

  • Quadro da bike grande ou pequeno para a sua altura;
  • Guidão muito afastado, obrigando o corpo a esticar demais;
  • Falta de fortalecimento da região do tronco.

Treinos de força para abdômen e lombar, ajustes de bike fit e intervalos para alongar durante o dia ajudam a reduzir esse tipo de incômodo.

4. Dor no pescoço e nos ombros

Ficar muito tempo olhando para frente, com as mãos esticadas no guidão, pode gerar dor na nuca e nos ombros. Isso é comum em ciclistas de estrada e em quem usa bikes com guidão baixo.

  • Pescoço rígido e dolorido ao virar a cabeça;
  • Queimação nos ombros após o pedal;
  • Desconforto que piora em trechos longos sem pausa.

Alongamentos específicos para trapézio e pescoço, fortalecimento de ombros e ajustes na altura do guidão ajudam a distribuir melhor o peso e aliviar a região.

5. Tendinite no tendão de Aquiles

O tendão de Aquiles liga a musculatura da panturrilha ao calcanhar. Com treino intenso, marcha pesada e falta de descanso, ele pode inflamar, gerando dor na parte de trás do tornozelo.

  • Dor ao apoiar o pé ou ao subir escadas;
  • Região do tendão mais grossa ou sensível ao toque;
  • Rigidez ao levantar da cama, melhorando com o movimento.

Reduzir o volume de treino, usar marcha mais leve, alongar panturrilhas e aplicar gelo após pedais mais fortes ajudam bastante. Caso a dor não ceda, é hora de consultar um especialista.

6. Dor no quadril e na região do glúteo

Selim inadequado ou mal posicionado pode causar dor no quadril, na lateral da coxa e até sensação de pressão na região do glúteo. Essa dor muitas vezes se mistura com desconforto muscular e cansaço.

  • Selim muito inclinado para baixo ou para cima;
  • Largura do selim incompatível com a anatomia da pelve;
  • Treinos longos sem pausas para mudar a postura.

Um bom ajuste de selim, com largura correta e altura adequada, somado a pequenas pausas para ficar em pé nos pedais, ajuda a reduzir a pressão contínua nessa região.

7. Lesões por queda e impacto

Mesmo com cuidado, quedas acontecem. Nesses casos, as lesões mais comuns envolvem ombro, punho, joelho e, nas situações mais graves, cabeça e coluna.

  • Escoriações e cortes em joelhos e cotovelos;
  • Luxações de ombro e punho ao apoiar a mão na queda;
  • Fraturas em impactos mais fortes.

Uso de capacete, luvas, óculos e, quando possível, joelheiras e cotoveleiras reduz o risco de lesões graves.

Após quedas com muita dor, perda de movimento ou suspeita de fratura, é fundamental procurar atendimento médico com rapidez.

Quando o ciclista deve procurar ajuda médica?

Nem toda dor significa algo grave, mas alguns sinais pedem atenção especial. Nesses casos, o ideal é pausar os treinos e agendar consulta com ortopedista ou médico do esporte.

  • Dor intensa que não melhora com repouso curto;
  • Dormência ou formigamento constante em mãos ou pés;
  • Perda de força para segurar objetos ou pedalar;
  • Inchaço visível em articulações;
  • História de queda recente com dor forte ou deformidade.

Com avaliação adequada, o ciclista entende o que está acontecendo, recebe orientação de tratamento e, quando necessário, é encaminhado para fisioterapia ou outros cuidados específicos.

Dicas práticas para prevenir lesões no pedal

Alguns cuidados simples fazem diferença no dia a dia do ciclista e ajudam a prevenir boa parte dessas lesões.

  • Investir em um bike fit para ajustar selim, guidão e pedais;
  • Fortalecer pernas, tronco e cintura escapular com exercícios fora da bike;
  • Alongar antes e depois dos treinos, com foco em pernas, costas e pescoço;
  • Aumentar volume e intensidade de treino de forma gradual;
  • Usar equipamentos adequados, como capacete e luvas acolchoadas;
  • Respeitar dias de descanso para o corpo se recuperar.

Quando o ciclista conhece o próprio corpo e entende os sinais que ele envia, fica mais fácil ajustar a rotina de treinos, buscar ajuda na hora certa e seguir aproveitando o pedal com mais segurança e menos dor.

Juliana Borges

Nutricionista atuando online e presencialmente em Goiânia, sou ex-atleta de fisiculturismo e bicampeã brasileira na categoria Wellness nos anos de 2018 e 2019. Atualmente, escrevo como colunista de saúde no site CirurgiaCoracao.

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