Pesquisadores anunciaram dois novos casos de potencial cura do HIV. Os resultados foram apresentados na 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.
Os pacientes estão sem sinais detectáveis do vírus há mais de um ano. Eles suspenderam os medicamentos antirretrovirais. Com os novos relatos, sobe para 13 o número de pessoas consideradas curadas ou em remissão de longo prazo.
Os dois pacientes desenvolveram cânceres de sangue. Eles precisaram de transplante de medula óssea. Os doadores escolhidos tinham a mutação genética rara CCR5-delta32. Essa alteração impede a entrada do HIV nas células do sistema imunológico.
O primeiro caso, conhecido como paciente de Kansas City, recebeu o transplante em outubro de 2020. Os médicos suspenderam os antirretrovirais em fevereiro de 2025. Quatorze meses depois, os exames seguem sem detectar o vírus.
O segundo caso era mais complexo. O paciente também tinha hepatite B e variantes do HIV. Um ano após interromper o tratamento, não havia vírus capaz de se multiplicar no organismo. A hepatite B voltou a se replicar poucos dias após a suspensão dos medicamentos.
Segundo o infectologista Ricardo Sobhie Diaz, da Unifesp, a estratégia combina três mecanismos. Primeiro, quimioterapia e radioterapia eliminam as células da medula óssea. Depois, o transplante da medula com a mutação reconstrói o sistema imune. Por fim, a reação de enxerto contra hospedeiro pode destruir células remanescentes com o HIV.
Para Diaz, os casos funcionam como prova de conceito. Eles mostram que a remissão total é biologicamente possível. No entanto, o transplante de medula apresenta alto risco de complicações e mortalidade. O procedimento só é indicado para pacientes com cânceres hematológicos que já precisam do transplante.
O médico afirma que nem sempre a estratégia funciona. Existem muitos fracassos. O desafio agora é desenvolver terapias capazes de eliminar os reservatórios do HIV sem procedimentos tão agressivos. A cura, embora possível, ainda está distante da maioria das pessoas.

