O calculador de risco PREVENT™ ajudou a identificar pessoas com acúmulo de placa nas artérias do coração, além de prever o risco de um futuro ataque cardíaco. Essa informação foi revelada em uma pesquisa recente publicada em uma revista médica.

Além disso, ao combinar o PREVENT com um escore de cálcio coronário, a previsão de risco melhorou. Aqueles com maior risco de ataque cardíaco foram associados ao grupo de participantes que realmente sofreram um ataque durante o acompanhamento.

Esses dados são importantes porque, ao prever com mais precisão o risco de ataque cardíaco, podemos adaptar os cuidados e identificar quem pode se beneficiar de tratamentos preventivos, como medicamentos para reduzir o colesterol. Essa afirmação vem de Morgan Grams, um médico especialista em medicina e saúde populacional em uma renomada universidade de Nova York.

O calculador PREVENT (Previsão de Risco de Eventos Cardiovasculares) foi lançado em 2023 pela associação americana de cardiologia. Ele é capaz de estimar o risco de um ataque cardíaco, AVC ou insuficiência cardíaca em um período de 10 ou 30 anos para adultos a partir de 30 anos. O PREVENT leva em conta fatores como idade, pressão arterial, colesterol, IMC, diabetes tipo 2, condições sociais, tabagismo e saúde dos rins.

Uma ferramenta para verificar a saúde do coração é a angiografia por tomografia computadorizada coronária (CCTA), um exame que não é invasivo e mostra o acúmulo de placas nas artérias. Com os resultados, é possível calcular o escore de cálcio coronário (CAC), que auxilia nas decisões sobre prevenção e tratamento de doenças cardíacas, indicando quando pode ser necessário prescrever remédios para colesterol.

Neste estudo, os pesquisadores queriam saber se o escore PREVENT correspondia ao nível de acúmulo de cálcio detectado pelo CAC. Eles utilizaram tanto a avaliação do risco pelo PREVENT quanto os escores de cálcio coronário, separadamente e em conjunto, para prever o risco de ataque cardíaco e avaliaram a precisão de cada um em relação aos participantes que sofreram ataque durante o acompanhamento.

Foram analisados registros eletrônicos de saúde de quase 7 mil adultos que realizaram o CCTA em um hospital de Nova York entre 2010 e 2024.

Os resultados mostraram que, entre todos os participantes:

– O risco estimado de ataque cardíaco pelo PREVENT foi baixo (menos de 5%) para 43,6% dos pacientes; levemente elevado (5%-7,5%) para 15,8%; moderadamente aumentado (7,5%-20%) para 34,4%; e alto (mais de 20%) para 6,2%.
– Os escores do PREVENT estavam diretamente relacionados aos escores de CAC, ou seja, quem tinha um alto escore PREVENT, indicando maior risco de ataque, também apresentou altos escores de CAC. Um risco classificado como baixo ou levemente elevado teve um CAC de 1 ou menos, o que indica baixo risco. Já os riscos classificados como moderadamente altos estavam associados a participantes com CAC acima de 100, o que sinaliza risco moderado a alto.
– Ao adicionar o escore CAC ao PREVENT, os pesquisadores conseguiram identificar com mais precisão quem estava em maior risco de sofrer um ataque durante o acompanhamento.

Esses achados mostram que o PREVENT é eficaz em identificar pessoas que podem ter risco subclínico de doenças cardiovasculares, ou seja, obstrução das artérias antes de surgirem os sintomas. A pesquisa usou um conjunto real de pacientes, então suas conclusões podem ajudar na formulação de futuras diretrizes sobre o uso do calculador PREVENT e da angiografia por tomografia computadorizada.

Um dos co-autores do estudo e especialista voluntário da associação, Sadiya Khan, afirmou que o escore CAC pode ser útil para classificar o risco de doenças cardíacas ao analisar o acúmulo de cálcio.

Exames de C.T. para avaliar a presença de cálcio coronário e a extensão desse acúmulo podem ajudar pacientes que estão em dúvida sobre iniciar ou intensificar a terapia para redução de lipídios. Temos diversas ferramentas para reduzir o risco de ataque cardíaco e queremos otimizar os tratamentos, especialmente para quem está em maior risco, disse Khan.

Agora, um resumo dos detalhes e design do estudo:

– Mais de 9 milhões de registros eletrônicos de saúde foram analisados, incluindo adultos que realizaram CCTA entre 2010 e 2024.
– Os participantes do estudo somaram 6.961 adultos entre 30 e 79 anos, sem histórico de doenças cardíacas. A média de idade desses participantes era de 57,5 anos; 53% eram mulheres e 77% eram identificados como brancos.
– Os escores de CAC desses participantes foram comparados aos escores do PREVENT, que foram calculados com base nos dados dos registros de saúde, incluindo informações demográficas e condições de saúde.
– Os ataques cardíacos foram registrados de acordo com códigos diagnósticos padrão nos registros eletrônicos de saúde. No total, foram contabilizados 485 ataques cardíacos em uma média de 1,2 anos de acompanhamento.
– A precisão do uso do PREVENT ou do score CAC foi avaliada, tanto separadamente quanto em conjunto, para prever o risco de ataque cardíaco, comparando isso aos dados dos pacientes que apresentaram diagnose de ataque cardíaco.

É válido destacar que o estudo encontrou algumas limitações. Uma delas é que os pacientes foram avaliados em apenas uma instituição, e a maioria dos participantes eram brancos, o que pode limitar a aplicação dos resultados em outros grupos. Além disso, foram incluídas apenas pessoas que realizaram a triagem de cálcio coronário, e os dados se basearam exclusivamente em registros eletrônicos de saúde. O tempo de acompanhamento de 1,2 anos também foi considerado curto, e a presença de placas não calcificadas nas artérias não foi avaliada. Por último, a pesquisa pode superestimar a prevalência de cálcio nas artérias em pessoas de baixo risco, já que os participantes foram encaminhados para o CCTA/CAC por profissionais de saúde, o que sugere um maior número de fatores de risco.

Juliana Moraes

Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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