O peso volta após parar Mounjaro e Ozempic. Mais da metade dos pacientes recupera quilos em até um ano. O dado é de um estudo norte-americano apresentado na Obesity Week.

A obesidade é uma doença crônica. O corpo entende a perda de peso como ameaça. Ele então aumenta a fome e reduz a saciedade. O gasto calórico também diminui.

Especialistas rejeitam o termo efeito rebote. O correto é recorrência da obesidade, segundo a endocrinologista Marcela Chambarelli, do Hospital Samaritano Barra. A medicação apenas tratava mecanismos biológicos que voltam a agir.

Interromper o remédio é igual a reganhar peso, afirma Fábio Moura, consultor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia. Muitos médicos defendem que o tratamento nunca pare.

Para quem decide parar, é preciso um período de transição. A dose deve ser ajustada gradualmente. A alimentação precisa mudar de forma sustentável. Atividade física regular, com exercícios de força e aeróbicos, é essencial.

Cuidar do sono e do estresse também é indispensável. Tratar transtornos alimentares, se houver, ajuda. Pesagens sem obsessão e consultas médicas regulares são recomendadas.

Histórico de obesidade longa, genética e menopausa são fatores de risco para o reganho. A perda de massa muscular durante o uso das canetas também pode favorecer o aumento de peso.

Não há como prever quem conseguirá manter o peso sem o remédio, pondera Chambarelli. O tratamento para obesidade deve ser para a vida toda. A vigilância é necessária mesmo sem as canetas.

A fome pode parecer mais intensa após parar. O corpo reduz os níveis de leptina, hormônio da saciedade. Isso não significa hiperfagia permanente, apenas um resultado fisiológico da perda de peso.

O reganho pode ser mais rápido do que após dietas. Dados da British Medical Journal mostram recuperação de 0,8 kg por mês com as canetas. Em dietas, a recuperação é de 0,1 kg por mês. A comparação exige cautela, pois as medicações produzem perdas muito maiores.

Juliana Moraes

Técnica em registros médicos e informações de saúde com paixão por melhorar a eficiência e a precisão dos registros de saúde. Acredito que uma boa gestão das informações de saúde é fundamental para fornecer o melhor cuidado possível aos pacientes.

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