A cultura da persistência pode levar a sofrimento desnecessário. A maturidade emocional, segundo o psicólogo Saulo Velasco, não está em aguentar firme sempre, mas em saber a hora de parar.
O especialista afirma que a ideia de resiliência virou uma obrigação moral. Muitas pessoas permanecem em relações que as diminuem, empregos que as adoecem e projetos sem sentido, movidas pelo medo do fracasso.
Desistir, nesses casos, pode ser um ato de coragem e autoconsciência. A resiliência saudável não é suportar qualquer coisa indefinidamente, mas responder à realidade com honestidade e flexibilidade.
Segundo o psicólogo, é preciso distinguir resiliência de rigidez. A rigidez mantém a pessoa presa a um ideal de alta performance, sempre em dívida consigo mesma, precisando produzir e provar mais.
Saber quando desistir exige olhar para a situação sem culpa ou pressão. A pergunta central, conforme o especialista, é se aquilo ainda faz sentido. Abandonar ideias sobre carreira, relacionamentos ou identidade pode ser doloroso e envolve luto.
No entanto, o processo também traz alívio e reconexão. A forma mais madura de resiliência, conclui Velasco, é reconhecer que não fomos feitos para suportar tudo e que é preciso recalcular a rota, descansar e admitir vulnerabilidades.

