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Desintoxicação de dopamina: por que a ciência duvida

A popular desintoxicação de dopamina não tem base científica. A dopamina não codifica o prazer. Ela atua como um sinal de aprendizado. O sinal indica a diferenç

Juliana Moraes2 min de leitura
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A popular desintoxicação de dopamina não tem base científica. A dopamina não codifica o prazer. Ela atua como um sinal de aprendizado. O sinal indica a diferença entre a recompensa esperada e a recebida. A informação é de Jérémie Naudé, pesquisador em neurobiologia.

A comparação entre estímulos de aplicativos e drogas é imprecisa. A ação da dopamina é contextual. Ela interage com outros neuromoduladores. Não existe um nível isolado para otimização.

Dopamina como sinal de aprendizado

Na década de 1990, o neurofisiologista Wolfram Schultz conduziu experimentos com macacos. Ele registrou a atividade dos neurônios dopaminérgicos. Um sinal luminoso anunciava a chegada de suco de fruta. No início, os neurônios se ativavam quando a recompensa chegava.

Com o aprendizado, a atividade se deslocou. Os neurônios passaram a responder ao sinal luminoso. Eles pararam de responder no momento da recompensa. Quando o suco não era fornecido, a atividade caía abaixo do nível basal.

Os neurônios dopaminérgicos não codificam o prazer. Eles medem a diferença entre o esperado e o recebido. Isso é chamado de erro de previsão de recompensa. Um pico de dopamina reflete uma comparação entre previsão e realidade. O sinal indica se vale a pena repetir uma ação.

Paralelo com drogas é equivocado

A argumentação dos defensores do conceito usa a ideia de recompensas incertas. Notificações e curtidas gerariam picos repetidos de dopamina. O sistema de recompensa se esgotaria, como com drogas.

A analogia não é pertinente. Drogas como cocaína e opioides aumentam a dopamina de forma farmacológica. O aumento é intenso e prolongado, sem relação com expectativa. O cérebro não consegue absorver esse aumento. O organismo diminui o número de receptores de dopamina. O resultado é a tolerância em usuários crônicos.

Uma notificação aleatória em um smartphone não tem o mesmo efeito. O contexto é diferente. O cérebro processa o estímulo de forma distinta. A ideia de um nível ideal de dopamina não possui fundamento. Os efeitos da molécula dependem dos objetivos do organismo.

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Sobre o autor

Juliana Moraes

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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