Programa de Exercícios para Reabilitação de Acidente Vascular Cerebral (AVC)
Um novo estudo apresentou resultados positivos sobre um programa de exercícios de caminhada, que, quando combinado com terapias físicas tradicionais, melhorou a qualidade de vida e a mobilidade de pessoas que sofreram AVC. Esse estudo será apresentado na Conferência Internacional da Associação Americana do AVC, que acontece em Los Angeles, de 5 a 7 de fevereiro de 2025. Este evento é importante para profissionais e pesquisadores que trabalham na área de AVC e saúde cerebral.
Importância da Caminhada na Recuperação
Recuperar a habilidade de andar é fundamental para quem passou por um AVC. As diretrizes de 2016 da Associação Americana do AVC sugerem que pessoas que podem participar de três horas de terapia, cinco dias por semana, e que estão estáveis, devem receber tratamento em uma unidade de reabilitação. Essa abordagem pode fazer toda a diferença na recuperação.
Novas Estratégias de Exercício
Janice Eng, doutora e especialista em reabilitação de AVC, afirmou que, apesar das recomendações, a adesão a exercícios estruturados e progressivos ainda é baixa. Exercícios que vão aumentando de dificuldade, muitas vezes auxiliados por dispositivos que medem a intensidade, são essenciais para que o cérebro consiga se recuperar e se adaptar. Os primeiros meses após um AVC são cruciais para essa mudança no cérebro.
Detalhes do Estudo
O estudo foi feito em 12 unidades de AVC no Canadá, com 306 pessoas que começaram a reabilitação cerca de um mês após terem um AVC isquêmico (causado por coágulos) ou hemorrágico (com sangramento). Antes de qualquer intervenção, os participantes caminharam por seis minutos, percorrendo em média 152 metros, o que equivale a quase duas quadras.
Divisão dos Grupos
Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: um seguiu a terapia física tradicional, enquanto o outro seguiu um novo protocolo com mais intensidade na caminhada. O objetivo deste novo protocolo era que cada pessoa fizesse pelo menos 30 minutos de atividades que envolvessem caminhada e peso, aumentando a intensidade ao longo do tempo. Os participantes usavam um relógio que monitorava os batimentos cardíacos e os passos, ajudando a medir a intensidade do exercício.
Medindo Resultados
Todos os centros clínicos iniciaram com o grupo controle. Desses, 162 participantes receberam apenas os cuidados tradicionais e 144 participaram do novo protocolo de caminhada com intensidade aumentada. A qualidade de vida, habilidades físicas e cognitivas foram mensuradas tanto no início do estudo quanto na alta, que ocorreu cerca de quatro semanas depois. Essa análise levou em conta idade, sexo e tempo de caminhada na fase inicial.
Resultados do Estudo
Os resultados mostraram que a melhoria no teste de caminhada de seis minutos foi de cerca de 43,6 metros a mais no grupo com caminhadas de alta intensidade, em comparação ao grupo que seguiu o tratamento tradicional. Esse grupo também teve avanços significativos na qualidade de vida, equilíbrio, mobilidade e velocidade ao caminhar.
Treinamento dos Terapeutas
Um ponto importante do estudo foi que todos os terapeutas dos 12 centros foram treinados para aplicar o novo protocolo. Eles se certificaram de que os participantes eram elegíveis e realizaram triagens de segurança. O objetivo era integrar esse protocolo na prática padrão, permitindo que todos os terapeutas e pacientes se beneficiassem dessa abordagem.
Mudanças na Prática Clínica
De acordo com Preeti Raghavan, médica e especialista em reabilitação, mudar práticas estabelecidas é desafiador, mas pode ser feito. Ela destaca que esse estudo mostrou que a implementação de novos protocolos pode ser eficaz e benéfica, especialmente em um momento em que o cérebro é mais adaptável após um AVC. O protocolo demonstrou aumentar a resistência e reduzir a deficiência após o AVC, oferecendo dados positivos para a recuperação.
Limitações do Estudo
É importante ressaltar que o estudo teve suas limitações. Os participantes precisavam ser capazes de dar pelo menos cinco passos, com auxílio de uma pessoa, se necessário. Aqueles que não conseguiam andar, mesmo com suporte, não puderam participar da pesquisa, o que pode ter limitado o alcance dos resultados.
Detalhes Adicionais do Estudo
Alguns detalhes sobre o estudo incluem:
- O grupo teve uma média de 306 participantes com idade média de 68 anos, sendo 188 homens e 118 mulheres, com cerca de 29 dias desde o AVC.
- O estudo usou um novo desenho chamado Step Wedge Trial, que é um estudo randomizado e cego, conduzido em 12 unidades de AVC no Canadá entre 2020 e 2022.
- Os terapeutas implementaram o protocolo de caminhada progressiva durante as primeiras quatro semanas da internação dos participantes, período em que, em média, já estavam no hospital há um mês.
- O teste de caminhada de seis minutos foi medido no início e quatro semanas depois para avaliar a eficácia do protocolo.
- Todos os terapeutas nos centros de AVC aplicaram o protocolo como parte de um cuidado padrão melhorado, e os centros tiveram a responsabilidade de capacitar novos terapeutas e manter o protocolo em funcionamento.
Esses dados mostram que a reabilitação pós-AVC pode ser significativamente otimizada com a adoção de programas de exercícios bem estruturados e cuidadosamente aplicados, beneficiando a recuperação de muitos pacientes.

