
A popular desintoxicação de dopamina não tem base científica. A dopamina não codifica o prazer. Ela atua como um sinal de aprendizado. O sinal indica a diferença entre a recompensa esperada e a recebida. A informação é de Jérémie Naudé, pesquisador em neurobiologia.
A comparação entre estímulos de aplicativos e drogas é imprecisa. A ação da dopamina é contextual. Ela interage com outros neuromoduladores. Não existe um nível isolado para otimização.
Dopamina como sinal de aprendizado
Na década de 1990, o neurofisiologista Wolfram Schultz conduziu experimentos com macacos. Ele registrou a atividade dos neurônios dopaminérgicos. Um sinal luminoso anunciava a chegada de suco de fruta. No início, os neurônios se ativavam quando a recompensa chegava.
Com o aprendizado, a atividade se deslocou. Os neurônios passaram a responder ao sinal luminoso. Eles pararam de responder no momento da recompensa. Quando o suco não era fornecido, a atividade caía abaixo do nível basal.
Os neurônios dopaminérgicos não codificam o prazer. Eles medem a diferença entre o esperado e o recebido. Isso é chamado de erro de previsão de recompensa. Um pico de dopamina reflete uma comparação entre previsão e realidade. O sinal indica se vale a pena repetir uma ação.
Paralelo com drogas é equivocado
A argumentação dos defensores do conceito usa a ideia de recompensas incertas. Notificações e curtidas gerariam picos repetidos de dopamina. O sistema de recompensa se esgotaria, como com drogas.
A analogia não é pertinente. Drogas como cocaína e opioides aumentam a dopamina de forma farmacológica. O aumento é intenso e prolongado, sem relação com expectativa. O cérebro não consegue absorver esse aumento. O organismo diminui o número de receptores de dopamina. O resultado é a tolerância em usuários crônicos.
Uma notificação aleatória em um smartphone não tem o mesmo efeito. O contexto é diferente. O cérebro processa o estímulo de forma distinta. A ideia de um nível ideal de dopamina não possui fundamento. Os efeitos da molécula dependem dos objetivos do organismo.
Diretório de Estabelecimentos
Encontre hospitais e clínicas de cardiologia em todo o Brasil
Mais de 13 mil hospitais e clínicas com serviço de cardiologia, a partir do CNES (Ministério da Saúde). Busque por estado, cidade ou especialidade.
Sobre o autor
Juliana Moraes
Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.
Ver todos os artigosEncontre a hospital ou clínica de cardiologia ideal no Brasil no nosso diretório. Explore estabelecimentos por especialidade com dados oficiais da CNES (Ministério da Saúde).



