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Ariana Grande reacende debate sobre culto à magreza

A cantora Ariana Grande anunciou pausa na carreira. A decisão ocorre após intenso escrutínio público sobre seu peso corporal. Segundo a imprensa norte-americana

Juliana Moraes3 min de leitura
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A cantora Ariana Grande anunciou pausa na carreira. A decisão ocorre após intenso escrutínio público sobre seu peso corporal. Segundo a imprensa norte-americana, a equipe da artista descreveu a situação como um escrutínio incessante.

Desde o lançamento do novo álbum, internautas afirmam que ela estaria magra demais. As críticas se intensificaram após a estreia do videoclipe da música Petal. Na produção, fãs apontaram que a artista aparentaria estar muito abaixo do peso.

No vídeo, Ariana critica a pressão estética de Hollywood. Nos comentários, parte do público reagiu com preocupação. A hipótese de um transtorno alimentar foi levantada por espectadores. A cantora não confirmou qualquer problema de saúde.

O caso reacendeu o debate sobre o culto à magreza na internet. Especialistas ouvidos pela reportagem fazem um alerta. Aparência não é diagnóstico. Mudanças no corpo podem ser um sinal de alerta, mas não identificam um transtorno alimentar sozinhas.

É preciso observar comportamentos. Fuga de situações sociais com refeições e exercícios compulsivos são sinais de atenção. O psiquiatra Fabio Tápia Salzano, do Hospital das Clínicas da USP, comentou o caso. Segundo ele, o que se observa entre algumas celebridades parece indicar desnutrição, não um corpo magro e saudável.

Transtornos alimentares

Os transtornos alimentares são condições psiquiátricas complexas. Eles incluem anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar. As condições afetam a quantidade e a qualidade dos alimentos consumidos. Fatores biológicos, genéticos, psicológicos e socioculturais estão entre as causas.

A recomendação médica é acolher a pessoa. Evitar culpabilização é essencial. Em vez de apontar alterações na aparência, o ideal é demonstrar preocupação. Incentivar a busca por ajuda profissional também é indicado.

Culto à magreza

O psiquiatra Salzano afirma que os diagnósticos aumentaram. Ele atende pacientes com o quadro há três décadas. No Ambulim, são realizadas cerca de 6,2 mil consultas por ano. Desse total, aproximadamente 110 a 130 pacientes precisam de internação hospitalar.

Os padrões de beleza estão mais restritivos atualmente. Segundo o médico, o mercado da moda voltou a trazer modelos com corpos excessivamente magros nos últimos dois anos. Nas redes sociais, esse ideal encontra terreno fértil.

Movimentos online associam magreza extrema a sucesso e felicidade. Há cerca de dois anos, o meme magras, magras, magras! viralizou na web. No Instagram, as hashtags #magras, #magrass e #magrasmagrasmagras reúnem mais de 456 mil publicações. Os conteúdos reproduzem frases como a felicidade é magra e recomendam dietas extremas.

Existe ainda o chamado EDtwt, abreviação de Eating Disorder Twitter. Esse nicho na plataforma X reúne perfis que compartilham publicações sobre desordens alimentares. Parte das postagens envolve comportamentos de risco. Uma pesquisa apresentada no Congresso Nacional de Alimentos e Nutrição analisou 18 perfis brasileiros ligados à comunidade. Foram identificadas expressões que escondem diálogos sobre restrição alimentar, medo de ganhar peso e indução ao vômito.

Os discursos online podem levar jovens a acreditar que o sucesso depende de um padrão corporal. Influenciadores associam magreza a sucesso e incentivam dietas restritivas. Isso reforça a ideia de controlar o corpo a qualquer custo, segundo Salzano.

Estudos brasileiros sobre transtornos alimentares são raros. Uma revisão sistemática estimou a prevalência média de casos. O índice é de 0,1% para anorexia nervosa. Para bulimia nervosa, o percentual é de 1,16%. O transtorno de compulsão alimentar atinge 3,53% da população.

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Sobre o autor

Juliana Moraes

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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