
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode se tornar o maior da história. O alerta foi feito pelo presidente da entidade, Tedros Adhanom, nesta quarta-feira, 12. Segundo ele, a epidemia já é a segunda maior já registrada no mundo.
O surto atual já ultrapassou marcas do episódio anterior no país. Entre 2018 e 2020, a RDC registrou 3.481 casos e 2.299 mortes. Agora, em apenas três meses, o país acumula 4.449 casos e 2.611 óbitos desde maio de 2026.
Tedros Adhanom afirmou que a doença está se espalhando mais rápido do que qualquer surto anterior. A OMS declarou que as ações de combate estão atrás do avanço do vírus. A meta é controlar a situação em três meses.
Variante mais rara
A epidemia é causada pela espécie Bundibugyo do ebolavírus. Essa variante é mais rara e não possui vacinas aprovadas nem tratamentos antivirais específicos, ao contrário da cepa Zaire, responsável por surtos anteriores.
O controle da doença depende de medidas clássicas de saúde pública. Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Unesp, é preciso identificar rapidamente os casos, isolar pacientes, rastrear contatos e realizar sepultamentos seguros.
Muitas mortes ocorrem em comunidades isoladas, longe de unidades de tratamento. Isso impede a identificação de cadeias de transmissão. Casos em áreas de conflito armado também dificultam o acesso de médicos e equipes de saúde.
Meta de controle
A OMS foca ações na vigilância de casos e no aumento da capacidade de leitos para três mil vagas. A entidade também intensifica o treinamento de agentes de saúde locais.
A meta é elevar o acompanhamento de contatos de infectados para cerca de 95%. Atualmente, a taxa está abaixo dos 80%.
Há ainda o desafio da desconfiança da população em relação às autoridades de saúde. Para especialistas, a colaboração da população é essencial para o sucesso das medidas de controle.
O ebola é uma zoonose transmitida por contato com sangue, fluidos corporais ou tecidos de infectados. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, fraqueza, vômitos e sangramentos. Não há cura específica para a variante atual, mas hidratação e controle de infecções ajudam na recuperação.
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Juliana Moraes
Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.
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