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Vacina de RNA contra gripe é aprovada nos EUA

A FDA, autoridade sanitária dos Estados Unidos, aprovou a primeira vacina contra influenza baseada em RNA mensageiro (mRNA). A aprovação ocorreu na última seman

Juliana Moraes4 min de leitura
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A FDA, autoridade sanitária dos Estados Unidos, aprovou a primeira vacina contra influenza baseada em RNA mensageiro (mRNA). A aprovação ocorreu na última semana. O imunizante, chamado mFlusiva (mRNA-1010), é produzido pela farmacêutica Moderna, mesma fabricante da vacina Spikevax contra a Covid-19.

A nova vacina já gera polêmica, principalmente por causa da desconfiança da população em relação à tecnologia de mRNA. Para explicar a novidade, é preciso retomar alguns conceitos básicos sobre a doença e o funcionamento dos imunizantes.

O que é a influenza

A influenza, também chamada de gripe, é uma doença viral predominantemente respiratória. O quadro causa 1 bilhão de casos anualmente no mundo. Desses, de 3 a 5 milhões são graves. A doença é responsável por 290 mil a 650 mil mortes respiratórias por ano.

Entre crianças menores de 5 anos, 99% dos óbitos ocorrem em países em desenvolvimento. O grupo mais comum do vírus é o A, mas o grupo B também tem importância em Saúde Pública. O nome influenza vem do italiano e significa influência, pois no passado se acreditava que a doença era causada pela influência dos astros. O termo gripe deriva do verbo francês gripper, que significa agarrar.

Estrutura do vírus

O vírus da influenza é um micro-organismo envelopado, de tamanho médio, com genoma formado por RNA. O material genético é espalhado em oito pedaços diferentes dentro do núcleo viral. Do envelope do vírus brotam duas proteínas importantes: a hemaglutinina, chamada de H, que faz a ligação com as células a serem infectadas; e a neuraminidase, chamada de N, que ajuda o vírus a se libertar das células quando nasce.

É por isso que cada vírus da influenza tem um nome H e um sobrenome N, como H1N1 e H3N2. Para ter imunidade, é preciso ter anticorpos específicos contra os tipos de H em questão.

Vacina atual contra a gripe

A tecnologia mais usada hoje contra a gripe utiliza ovos de galinha com embriões para a fabricação do imunizante. Nos ovos, o vírus da influenza se replica eficientemente. Depois de alguns dias, ele é coletado, inativado e preparado para ser envasado como vacina.

O uso de ovos embrionados tem problemas logísticos, dada a necessidade de ovos estéreis e difíceis de produzir em grande quantidade. Há também riscos de reações em pessoas com alergia a ovos e questões sobre bem-estar animal, já que os embriões são mortos no processo. Mesmo assim, a vacina é confiável, eficiente e salva milhões de vidas anualmente.

Como funciona a vacina de mRNA

Uma vacina de RNA é uma molécula de RNA sintética que carrega instruções para a síntese da proteína de um patógeno. Essa proteína é produzida pela própria célula de quem recebeu a aplicação. Ela tem duas partes importantes: uma fixa e uma variável. A parte fixa contém sinais moleculares que a tornam reconhecível como mensageira. A parte variável traz a sequência que codifica a proteína que servirá de antígeno.

Essa parte interna pode ser trocada de acordo com a doença ou com uma nova variante de vírus, permitindo atualizar a vacina de forma mais rápida que os métodos tradicionais. Esse tipo de vacina dispensa o uso de animais e o cultivo de células.

O processo ocorre assim: a molécula de RNA, protegida por uma nanopartícula lipídica, é injetada no paciente e captada pelas células. O mRNA leva à produção do antígeno, que sobe até a membrana celular e estimula o sistema imune. O mRNA da vacina é degradado pela célula após cumprir sua função, seguindo o mesmo comportamento do mRNA natural de vírus em infecções reais.

O desenvolvimento dessas vacinas não foi rápido: foram anos de pesquisa até se chegar à plataforma, que agora permite adaptação rápida a novas doenças.

Resultados da mFlusiva

No artigo científico que conta como foram os testes da mFlusiva (mRNA-1010), os pesquisadores mostram que ela deu maior proteção do que as vacinas tradicionais. Não houve mais ocorrência de reações graves do que as vacinas já em uso. Ela só se destacou por ter mais reação local após injeção intramuscular. A função de uma vacina de influenza é tanto diminuir a severidade dos sintomas quanto diminuir a transmissão por baixar a carga viral. Ela traz a proteína HA de três tipos de vírus da influenza, cada um em um mRNA.

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Sobre o autor

Juliana Moraes

Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.

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