
Levantamento da Rede D’Or mostra que paulistas infartam, em média, aos 58 anos. A idade é uma década menor do que a registrada na maioria dos estados avaliados.
A pesquisa reuniu dados de sete unidades federativas. Em Alagoas e na Bahia, a média passa dos 72 anos. A diferença para São Paulo chega a 14 anos.
O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar nos casos precoces, com média de 62 anos. Os demais estados têm médias acima dos 69 anos.
Os dados foram apresentados no Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D’Or 2026, entre os dias 6 e 8 de agosto. O levantamento analisou 59 hospitais privados da rede, entre janeiro de 2025 e março de 2026. Foram incluídos mais de 7 mil pacientes.
Médias por estado
São Paulo: 58 anos. Rio de Janeiro: 62 anos. Pernambuco: 69 anos. Distrito Federal: 69 anos. Ceará: 71 anos. Bahia: 72 anos. Alagoas: 72,5 anos.
A mediana nacional de idade para infarto foi de 62 anos. Nos Estados Unidos, a média do primeiro infarto é de 65,5 anos para homens e 72 anos para mulheres, segundo a Associação Americana do Coração.
A diretora nacional de cardiologia da Rede D’Or, Olga Ferreira de Souza, afirmou que os dados envolvem pacientes com plano de saúde e acesso rápido ao atendimento. Segundo ela, mesmo assim há disfunções como pressão alta não controlada. Ela disse que, no sistema público, os números devem ser ainda piores.
Fatores de risco
Pesquisadores apontam o estilo de vida como possível causa das diferenças. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, o estresse e a poluição podem influenciar os casos precoces.
Antonio Aurelio de Paiva Fagundes Junior, pesquisador do Instituto D’Or, disse que não é possível determinar causa e efeito. Ele lembrou que a poluição é um fator de risco conhecido para o coração.
Estudos mostram que partículas finas do ar poluído podem entrar na corrente sanguínea. Isso pode causar inflamações no sistema cardiovascular e favorecer insuficiência cardíaca, hipertensão e AVC. O estresse intenso também pode alterar a pressão e os vasos sanguíneos.
Souza ponderou que, por ora, essas explicações são apenas uma inferência. Ela afirmou que não há como provar que o estresse é maior no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Perfil dos pacientes
Entre os atendidos, 70% tinham hipertensão. 40% apresentavam colesterol elevado. Muitos já sabiam desses fatores antes do infarto.
Foram cerca de 70 mil atendimentos por dor torácica no período. Aproximadamente 7 mil foram diagnosticados com infarto. A taxa de mortalidade entre esses pacientes foi de 2,4%. As unidades do Rio de Janeiro tiveram mais mortes.
Os pacientes que morreram tinham, em média, 10 anos a mais do que os sobreviventes. A médica Mariana Mancilha, do Hospital Vila Nova Star, defendeu medidas de prevenção. Ela citou atividade física, alimentação equilibrada e controle de pressão, colesterol e diabetes. Também recomendou evitar o tabagismo e procurar atendimento diante de sintomas suspeitos.
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Sobre o autor
Juliana Moraes
Equipe editorial do Cirurgia Coração, o maior diretório de estabelecimentos do cardiologia no Brasil. Conteúdo especializado sobre saúde do coração.
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